24 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Refood Coimbra assinala 10.º aniversário com gala no Convento São Francisco

21 de Novembro 2025

Foi a 9 de dezembro de 2015 que Coimbra acolheu um projeto inovador. A Re-food 4 Good já existia noutros pontos do país, no entanto, apenas naquela data chegou à cidade. Desde então, muita coisa mudou no que diz respeito à forma como a comunidade olha para os excedentes alimentares. O combate ao desperdício tornou-se uma prioridade capaz de ajudar centenas de famílias carenciadas. Só no ano passado, foram distribuídas 101 toneladas de alimentos.

“São quantidades que vão ser usadas; que vão ter utilidade e ajudar instituições aqui da cidade que fazem apoio a pessoas carenciadas”, revela Cristina Baptista, uma das voluntárias mais antigas da Refood Coimbra, em declarações ao “O Despertar”. Um trabalho que, este ano, assinala o seu 10º aniversário e que, por isso, merece ser celebrado.

A “Gala 10 anos Refood Coimbra” está agendada para o próximo dia 6 de dezembro, pelas 19h00, na Sala D. Afonso Henriques, no Convento São Francisco. A organização está a cargo do Núcleo da Re-food Coimbra, que garante estar a preparar uma “noite especial, contemplando um jantar e vários momentos culturais (música, dança e poesia)”. O objetivo do evento passa por “dar a conhecer o trabalho da Refood, para que consigamos continuar a expandir o nosso trabalho e salvar (ainda) mais comida”.

 

Música e artistas convidados

Ao longo do jantar, não vão faltar momentos culturais, com artistas convidados cujos nomes não são indiferentes ao público português. Nomeadamente: Combo Jazz (CpJazz EACMC), Coimbra Gospel Choir, Bailarinos da CODANÇA Associação Cultural, declAMAR POESIA, Cláudio Dias e Sara Travassos com Tiago Cordeiro e Rafael Silva, Cristina Branco e Luís Figueiredo e Pedro Gonçalves.

Além disso, os humoristas Afonso Paiva e Leonor Feio vão apresentar a iniciativa, que contará ainda com a presença do fundador do Movimento Re-food, Hunter Halder, e da atual direção da Re-food 4 Good. “Acho que vai ser um fim de dia bastante simpático, bastante agradável. Estamos muito empenhados nisso. O grupo que está a preparar esta gala tem estado bastante ativo”, avança Cristina Baptista.

Ao longo do evento também vai estar disponível merchandising relacionado com o projeto, para que os participantes o possam adquirir e, assim, ajudar a associação sem fins lucrativos a continuar a desempenhar o seu trabalho da melhor forma possível. “É fundamental termos algumas verbas para dar apoio às nossas atividades”, apela a voluntária.

A “Gala 10 anos Refood Coimbra” conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra e do Convento São Francisco, bem como da Sabor & Arte, Escola de Turismo e Hotelaria de Coimbra, Alves Bandeira, Grupo Vila Galé, Critical Software, S.A., e Blue House. A participação nesta celebração está sujeita a inscrição prévia, por meio de donativo, até à próxima terça-feira (25). Esta pode ser realizada através do formulário disponível da página da internet da instituição.

 

Recolhas têm sido “muito significativas”

O balanço da primeira década da Refood Coimbra não podia ser mais positivo. O crescimento tem sido gradual e, se numa fase inicial, as recolhas de produtos alimentares estavam limitadas a padarias e pastelarias, em 2020, o projeto aumentou a sua abrangência, alargando a sua ação a supermercados e frutarias da região. “Neste momento, fazemos recolhas em nove grandes superfícies em Coimbra. É uma outra escala. Os supermercados entregam-nos, muitas das vezes, produtos do dia,  ou que estão em cima de prazo de validade, e temos recolhas muito significativas”, sublinha Cristina Baptista.

Para além das rotas diárias regulares, a associação também faz recolhas não programadas que vão surgindo a título individual, por exemplo, em casamentos, batizados, conferências e festas de estudantes. “As pessoas informam-nos dessas festas ou eventos e nós vamos recolher”, garante a voluntária.

Para que tudo isto seja possível, o projeto conta com o apoio de cerca de 80 voluntários que se dedicam a fazer a ponte entre o combate ao desperdício alimentar e a entrega desses produtos a pessoas que necessitam. “É a melhor forma de utilizarmos os recursos que temos a nível da produção agrícola e dar-lhes um fim que não seja a compostagem. No fundo, é combater o desperdício em artigos que ainda estão em boas condições e que podem alimentar famílias que precisam”, salienta ainda Cristina Baptista.

 

Associação luta por centro de operações

Desde a sua génese, a Refood Coimbra tem-se debatido com um problema que persiste até aos dias de hoje: a falta de um espaço físico que reúna as condições necessárias para que os excedentes alimentares cheguem diretamente à associação. “Coimbra é um caso muito particular. Temos tido muita dificuldade em ter aquilo a que chamamos um ‘centro de operações’”, lamenta a voluntária. Uma realidade que obriga a que “vamos aos nossos parceiros recolher os excedentes”, entregando-os, depois, diretamente, “não a famílias, mas a várias instituições da cidade”.

Esta falta de um centro de operações também gera obstáculos no que diz respeito à fidelização de voluntários e, por isso, “temos batido em várias portas, como as juntas de freguesia, para sabermos de espaços disponíveis. Estamos sempre um pouco atentos na cidade, àquilo que vai acontecendo”, confessa Cristina Baptista. A responsável garante que esta luta vai continuar, já que “estamos a falar de pontos onde as famílias poderiam ir recolher os alimentos. Para além disso, os voluntários acabavam por comunicar e trabalhar mais em conjunto”.

Enquanto o lugar ideal não aparece, a Refood Coimbra promete continuar a fazer a diferença no planeta e na vida das pessoas que, diariamente, usufruem do projeto. No total, são cerca de 700 os beneficiários da iniciativa, distribuídos por 20 instituições.

 

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 21/11/2025]


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