A 47.ª Feira do Livro de Coimbra começa já hoje (19), e vai prolongar-se até dia 28 de junho, no Parque Manuel Braga. A edição de 2026 terá como figura central a escritora conimbricense Teolinda Gersão, cujo universo literário, com particular destaque para a obra A Árvore das Palavras, serve de fio condutor para toda a programação.
Após várias edições realizadas na Praça do Comércio, a escolha do Parque Manuel Braga é assumida pela autarquia como uma opção estratégica. O objetivo é valorizar o icónico jardim junto ao rio Mondego, aproveitando as sombras, a relva e a proximidade à água para criar um ambiente intergeracional propício à permanência do público.
De acordo com Margarida Mendes Silva, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, a intenção é centrar o evento no livro, nos escritores, nos leitores e no encontro entre diferentes gerações.
Três grandes eixos de curadoria literária
Com uma imagem gráfica renovada, a programação deste ano, que totaliza cerca de 90 atividades ao longo de dez dias, estrutura-se em três grandes linhas temáticas. Além do ciclo dedicado a Teolinda Gersão, Pedro Lamares será responsável por uma linha centrada na poesia, nas suas diferentes formas de expressão, da palavra escrita à palavra dita. Já José Pacheco Pereira propõe uma reflexão sobre 1975 e os desafios políticos do presente, partindo de obras literárias e ensaísticas para discutir democracia, memória e actualidade.
As atividades vão dividir-se por vários pontos do parque, nomeadamente o Coreto, que acolherá concertos ligados à palavra e à canção, o Auditório Teolinda Gersão e a Estação Elevatória, onde funciona a Biblioteca Carlos Fiolhais. Esta última, numa parceria reforçada com a Águas de Coimbra, disponibilizará também pontos de água aos visitantes.
A edição de 2026 introduz formatos inéditos na programação do certame. A rubrica Atualidade dos Livro decorrerá nos dois fins de semana, juntando jornalistas e figuras públicas em conversas em torno de um livro escolhido pelos convidados. No primeiro fim de semana, a moderação cabe a Sena Santos e Clara Almeida Santos, no segundo, fica a cargo de Filipa Queiroz e Daniel Belo.
Outra nova linha de programação chama-se Fruto Proibido, uma linha de programação ao final da tarde, na zona da Estação Elevatória e da Varanda do Rio, que desafia várias estruturas culturais de Coimbra a criar momentos artísticos e poéticos no espaço público.
O Parque Manuel Braga vai acolher 60 stands, reunindo mais de uma centena de editoras e chancelas, além de livrarias, alfarrabistas, distribuidoras e um espaço dedicado exclusivamente às publicações de entidades artísticas e culturais de Coimbra.
A pensar no público familiar, estão previstas diversas oficinas, ateliês e sessões de contos, com atividades direcionadas para as escolas durante os dias de semana.