19 de Junho de 2026 | Coimbra
PUBLICIDADE

Projeto “Incorpora” já ajudou 150 pessoas a encontrar trabalho em Coimbra

19 de Junho 2026

SOCIEDADE | Desde a sua génese, em 2018, o projeto “Incorpora” já facilitou a contratação de cerca de 150 pessoas em situação de vulnerabilidade em Coimbra. Criado pela Fundação “la Caixa”, em parceria com o Banco BPI e o IEFP, o projeto tem assumido um papel importante na empregabilidade na região.

“O trabalho dignifica”: é esse o lema do “Incorpora”, um programa que visa melhorar a integração sociolaboral de pessoas em situação de vulnerabilidade. Desde a sua génese, em 2018, o projeto já ajudou 1.852 pessoas, a nível nacional, a encontrar emprego. Só em Coimbra, a iniciativa possibilitou que cerca de 150 cidadãos ingressassem ou regressassem ao mercado laboral. Tudo graças à metodologia de trabalho em rede, que une instituições sociais de referência da cidade.

“Pretendemos ser agentes de mudança na vida do outro”, explica Daniela Correia, técnica da APPACDM de Coimbra responsável pelo “Incorpora”, em declarações ao “O Despertar”. Numa fase inicial do projeto, trabalhavam, na área geográfica da cidade, quatro instituições: a Associação de Paralisia Cerebral (APCC) de Coimbra, a Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL), a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Coimbra, e a Fundação ADFP. De momento, no acordo vigente, apenas as duas últimas integram a iniciativa, promovendo um trabalho conjunto essencial para a obtenção de resultados positivos.

“Sendo um trabalho em rede, existe permeabilidade, o que é altamente facilitador”, confessa Daniela Correia, esclarecendo que o “Incorpora” se destaca por ser o elo de ligação entre as pessoas e o mercado de trabalho. “Acaba por funcionar quase como um mediador, sendo que o resultado final é um contrato de trabalho perfeitamente normal. No fundo, o projeto é a baliza quer para o empregador, – porque quando surge alguma dificuldade estamos lá -, quer para as pessoas que acompanhamos”, acrescenta.

 

Uma alavanca para o futuro

“Apesar dos elevados níveis de emprego registados em Portugal, o acesso ao mercado de trabalho continua a ser desigual”, lamenta a Fundação “la Caixa”. Fatores como a falta de qualificações, a idade, a origem, deficiências ou problemas de saúde física/mental continuam a dificultar a integração profissional de milhares de pessoas. Foi para dar resposta a esta problemática que a Fundação “la Caixa”, em parceria com o Banco BPI e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), desenvolveram o “Incorpora”.

Este “trata-se de um programa de intermediação laboral que tem por base que o trabalho confere dignidade à pessoa”, descreve Daniela Correia. As pessoas que chegam ao projeto são, por norma, encaminhadas pelos vários serviços da comunidade. “São instituições que acompanham cidadãos que, por qualquer razão, estão afastados do mercado de trabalho ou que nunca fizeram parte dele, mas que têm um perfil de empregabilidade e precisam de uma alavanca”, refere a responsável.

Nesse sentido, o trabalho da iniciativa passa por avaliar cada caso e traçar o perfil de cada um dos beneficiários. Posteriormente, o programa dirige-se ao mercado de trabalho para tentar encontrar respostas que possam ser dadas aos cidadãos que analisou. “O ‘Incorpora’ atua junto de qualquer pessoa com vulnerabilidade. No caso da APPACDM, em particular, temos um olhar privilegiado para a pessoa com incapacidade intelectual e doença mental. Aquilo que tentamos fazer é um trabalho diferenciador e especializado”, salienta Daniela Correia.

Por outro lado, a Fundação ADFP debruça-se sobre outro tipo de vulnerabilidade: os indivíduos em situação de sem-abrigo e/ou com comportamentos aditivos. “É dessa forma que temos um trabalho complementar”, reitera a técnica.

 

“A dignificação da pessoa pelo trabalho”

O modelo do projeto “Incorpora” baseia-se numa rede de mais de 50 entidades sociais, distribuídas por todo o país, que contam com mais de 100 técnicos especializados em orientação e prospeção empresarial. Em termos nacionais, só em 2025, das 1.852 contratações promovidas pelo programa, 1.176 corresponderam a mulheres (64%) face a 676 homens, o que, segundo a Fundação “la Caixa”, evidencia “o impacto positivo das iniciativas desenvolvidas para favorecer o seu acesso ao emprego e contribuir para a redução das desigualdades de género no mercado de trabalho”.

A Fundação destaca ainda o trabalho das entidades sociais locais, que “conhecem de perto as realidades e necessidades de cada região”. No que diz respeito a Coimbra, Daniela Correia não tem dúvidas de que há mais pessoas na cidade a precisar deste tipo de apoio do que a sociedade imagina. “A nossa dificuldade, muitas vezes, é conseguirmos dar resposta a tantas solicitações”, assume a responsável.

 

A técnica assegura que o trabalho levado a cabo pelo “Incorpora” é “muito de ourives, muito fino” e, por isso, requer muita atenção e cuidado. “Em muitos casos, as pessoas estão cansadas de tantos não’s e, noutros, sentem algum tipo de vergonha. (…) Quando falamos de uma deficiência adquirida, por exemplo, a pessoa perspetiva sempre aquilo que já foi capaz de fazer. Tem dificuldade em projetar o aqui e agora. E, portanto, fazê-la compreender isso é um trabalho muito delicado”, sublinha.

 

Assim, sob o lema “o trabalho dignifica”, o projeto acaba por contribuir para a valorização pessoal dos seus beneficiários, e não só. O impacto estende-se a toda a região que, ao conhecer o programa, se mostra sensibilizada para esta causa. “Na baixa de Coimbra, por exemplo, já tive empresários a contactarem-me porque viram uma pessoa com deficiência a trabalhar num café e também queriam fazer parte da iniciativa”, recorda Daniela Correia.

A esse propósito, a responsável não tem dúvidas de que o “Incorpora” tem assumido um papel importante na consciencialização da comunidade em geral. “Temos essa obrigatoriedade. Temos de ser exímios naquilo que fazemos, estar atentos e ser cirúrgicos. Não podemos permitir que seja deturpada a nossa missão: a dignificação da pessoa pelo trabalho”, remata.

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 19/06/2026]


  • Diretor: Lino Vinhal

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D - Eiras 3020-430 Coimbra

Powered by DIGITAL RM