A Comissão Concelhia de Coimbra do Partido Socialista e a candidata à Câmara de Coimbra Ana Abrunhosa estão à beira da ruptura. Se o clima de tensão com que esta semana se iniciou se mantiver, a ruptura poderá acontecer por estes dias. Tudo tem a ver com a ainda não definição das linhas básicas e estruturantes da candidatura mas sobretudo com a formação da lista de candidatos. Em reunião recente, o secretariado da Concelhia solidarizou-se unanimemente com o seu Presidente, Ricardo Lino, não aceitando que ao PS estejam reservados tão poucos lugares. Fala-se mesmo que Ana Abrunhosa admite que nos lugares elegíveis e necessários para uma vitória por maioria absoluta (os seis primeiros, num total de 11) possa constar apenas um socialista, máximo dois. Se assim for, a corda parte e parte em breve, se já não tiver partido quando o Despertar chegar às mãos dos seus leitores.
Não é apenas pelos maus resultados das eleições legislativas de domingo passado, para as quais Coimbra contribuiu fortemente, que se vive no seio de uma faixa do PS um ambiente de alguma preocupação, cada vez mais assumida. Um das ambições dos socialistas é vencer as próximas eleições autárquicas no concelho e com esse propósito dizem ter abraçado uma candidatura forte, protagonizada por Ana Abrunhosa. Mas há quem considere que a preparação da campanha, do programa e da equipa tardam em ser conhecidos, pelo que começam a não esconder receio e preocupação que entre o núcleo central que está com o assunto em mãos possam existir dificuldades, se não algumas divergências mesmo. É para analisar essa situação que um grupo de militantes prepara uma reunião/ jantar para estes dias, propondo-se assumir e publicitar uma posição de solidariedade para com o Secretariado e com a Comissão Concelhia.
Queixam-se esses militantes sobretudo do atraso na formação de listas (dizem haver ainda freguesias sem candidato decidido), receiam que a lista para a Câmara Municipal se prepara para ter poucos militantes nos lugares legíveis (o propósito é conseguir os seis eleitos que lhes garantam ganhar com maioria absoluta, possibilidade em que dizem acreditar cada vez menos. Fala-se no in circle da campanha que Ana Abrunhosa tem defendido que o Livre (recorde-se que é em coligação com o Livre, PAN e Cidadãos por Coimbra que o PS concorre) ocupe a terceira e quinta posições, pelo que, se assim for, ao partido restariam poucos lugares elegíveis, um possivelmente, nunca mais que dois. Dizia-nos ontem um militante que “o PS de Coimbra nunca serviu para barriga de aluguer e ainda não será desta que isso acontecerá.”. A eventualidade de Maria Manuel Leitão Marques poder candidatar-se à presidência da Assembleia Municipal também tem a sua contestação, não tanto pela pessoa mas por serem só senhoras a ocuparem os principais lugares (Ana Abrunhosa, Câmara, Helena Freitas, mandatária, e Maria Leitão Marques, Assembleia).
Aguarda-se com expectativa o desenrolar dos próximos dias.