Tenho a maior admiração pela Academia de Coimbra. Há um conjunto de especificidades conseguidas ao longo dos tempos e enquadradas na Praxe Académica que imprimem um ambiente gerador de admiração e simpatia baseado no que se diz ser o ESPÍRITO ACADÉMICO. O acesso ao ensino superior, em geral, aumentou e o número de estudantes nos últimos anos ou décadas não tem qualquer comparação com a reduzida frequência nos anos 40 e 50 e mesmo já nas décadas de 60 e 70 do século passado, claro. O aumento de estudantes pode tornar difícil a adoção de comportamentos giros e tradicionalmente observáveis e normativos na Academia. Tenho assistido a pontos de vista que devem estar desorientados, sendo um deles a afirmação de que o uso de capa e batina está proibido aos alunos do primeiro ano até à Queima. Segundo confirmação obtida junto do Dux Veteranorum tal não corresponde à verdade. O uso de capa e batina, apenas durante os dias da Queima, é que me parece transformar o traje académico num elemento de quase ostentação e sofisticação quando devia ser usado com mais regularidade e ser um símbolo de democratização. Aliás, até os alunos do ensino secundário podem usar capa e batina, e implicitamente, sujeitam-se à praxe académica em Coimbra. A QUEIMA, e especialmente o CORTEJO, agora ao domingo quando segundo muitas opiniões devia continuar a ser à terça-feira, manifesta algumas situações que provavelmente podem ser consideradas desagradáveis e talvez suscetíveis de serem retificáveis ou pelo menos examinadas. Por exemplo: muitos dos estudantes, dentro ou fora dos carros, usam e abusam, atualmente, em esguicharem a cerveja das latas mimoseando o público que assiste – e muitos são familiares dos estudantes -, com grandes banhos de cerveja. O vinho, o champanhe e o espumante perderam a corrida para a cerveja e perceciono, mas talvez não tenha observado em detalhe, que há uma marca dominante. Longe de mim tirar aos atuais estudantes o prazer e o privilégio de gozarem a QUEIMA DAS FITAS à sua maneira. Todavia tem de haver limites e dou como exemplo o que não me parece muito maduro em ação ao ver dentro de alguns carros do cortejo, estudantes com pistolas de plástico, de brincadeira, mais usadas pelas crianças no carnaval, a esguicharem água, apontando para alguém em específico e também aleatoriamente. E o público a fugir para evitar o banho. Por falar em banho: aqueles mergulhos no lago da Praça 8 de maio, zona do Panteão Nacional, talvez devam ser repensados ou objetivamente anulados, o que me dizem? A Queima acabou, sempre em ambiente de festa e com o forte calor que marcou estes últimos dias e teve as diversas programações com boa adesão. Voltando ao Cortejo: apesar das minhas reflexões, nada altera a alegria de pais, avós e amigos a saudarem os seus “doutores” explodindo em contentamento e cor nos carros ou apeados. Um F.R.A! por todos e para todos.
JOÃO BAGÃO, HOMENAGEADO NA SUA FIGUEIRA NATAL
Numa organização da Tuna Acordes da Foz, amanhã, sábado, pelas 21 horas, no Auditório Madalena Perdigão, na Figueira, será prestada homenagem, num prometedor e variado espetáculo, intitulado Três Tempos, ao figueirense JOÃO BAGÃO um dos nomes virtuosos e por isso grande na guitarra de Coimbra e conceituado compositor. João Bagão nasceu na Gala, atual São Pedro da Cova Gala, a 14 de julho de 1921 e faleceu em Lisboa em dezembro de 1992. Era um jovem com muito interesse pala música e cedo começou a tocar piano. Foi estudar para Coimbra onde desenvolveu uma ligação a instrumentos de corda, em concreto bandolim, guitarra e viola. Sofreu influência de Artur Paredes. Depois de completado o Liceu foi aluno na Faculdade de Ciências. Integrou o Orfeão e a Tuna Académica. Em 1948 rumou a Lisboa e trabalhou na então denominada propaganda médica. Na capital esteve ligado a um grupo de fados, dinamizando a música de matriz coimbrã e acompanhou grandes vozes como Luís Góis, Alexandre Herculano, Camacho e Rolim.