6 de Outubro de 2022 | Coimbra
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ORLANDO FERNANDES

Pontos de Vista: Não obrigado

30 de Julho 2021

O atual Primeiro-ministro e o seu Governo são caracterizados por, permanentemente, recusarem assumir que qualquer responsabilidade política e por permanentemente parecerem aguardar pelo próximo episódio, na esperança de que o anterior seja esquecido.

Os números da covid-19 estão dramaticamente a subir? Governo informa despudoradamente que a responsabilidade é dos jovens, cujos comportamentos potenciam a propagação do vírus.

A oposição denuncia a situação inqualificável da divulgação de dados pessoais de manifestantes a embaixadas ou questiona sobre as condições em que o trágico acidente na A6 ocorreu? O presidente do PS apressa-se a assumir que a responsabilidade é dos partidos da oposição que usam a política dos casos.

Nunca a responsabilidade é do Governo ou do Primeiro-ministro.

O que o Governo ignora, e que ficou bem claro, quer no episódio da divulgação dos dados pessoais de manifestantes a embaixadas por parte da Câmara de Lisboa, quer no trágico atropelamento do trabalhador que se encontrava na A6 é que o que está e causa é muito mais sério e profundo.

Mais do que um problema relacionado apenas com responsabilidade política, o que está efetivamente em causa é a própria falência moral deste Governo e do Partido Socialista.

Um Estado de direito que assenta no princípio da dignidade da pessoa humana não pode deixar de, em primeira linha assumir a preocupação de proteger os cidadãos.

Ora, o que sucedeu na divulgação dos dados pessoais dos manifestantes pela Câmara de Lisboa foi justamente a colocação de todos quantos exerceram as suas liberdades cívicas manifestando-se legitimamente numa situação de profunda vulnerabilidade.

No trágico acidente que conduziu à morte de um cidadão na A6, a decisão tomada pelo Ministério da Administração Interna de alegar que o trabalhador se encontrava a desenvolver a sua atividade sem respeitar as normas de segurança coloca a família da vítima numa situação de falta de proteção absolutamente imoral e injustificada.

O acidente que ocorreu nada tem, obviamente de político.

Mas passa a constituir-se como uma matéria de profunda imoralidade política quando um membro do Governo produz precipitadamente tal afirmação colocando em, causa o direito da família da vítima fatal desse trágico episódio a receber uma indemnização do seguro.

Passa a constituir um caso de profunda imoralidade política quando as autoridades públicas demonstram tal falta de empatia com a tragédia, procurando alegadamente encobrir a viatura sinistrada, impossibilitando que se desenvolvesse uma séria verificarão dos contornos e dos termos em que o trágico acidente ocorreu, ou recusando-se a fazer-se representar no funeral da vitima.

Como passa a ser um caso de imoralidade política caso se prove que o ministro responsável pela segurança rodoviária circulava na A6 em excesso de velocidade, violando as regras que ele próprio tem a responsabilidade de fazer cumprir.

Ta como já tinha ficado claro no trágico incidente que conduziu ao falecimento do cidadão ucraniano nas instalações do SEF, ou nas declarações da ministra da Agricultura considerando que as condições em que vivem, os imigrantes em Odemira são excelentes, a falência moral deste Governo é evidente.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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