CARLOS PAIÃO nasceu em Coimbra, em 1957, porque a assistência médica ao parto seria provavelmente melhor, se necessária, do que a existente em Ílhavo, onde viveu a infância e juventude. Aos 18 anos já tinha cerca de 200 canções escritas, que prodígio! Venceu em 1978, na sua terra de residência, o primeiro Festival da Canção do Illiabum Clube com a canção Gritos de Guerra. Em 1981 vence o Festival da Canção da RTP. O último Festival de ílhavo cuja extinção lamentamos foi em 1988. Esta realização foi dedicada, em tom de homenagem póstuma ao cantor e compositor porque perdera a vida, recentemente, num acidente de automóvel, nesse ano de 88, a 26 de agosto. O país musical chorou a morte de Carlos Paião e não apenas a cidade de Ílhavo. Carlos Paião foi vítima de um acidente de viação com o embate do seu carro e um camião perto de Rio Maior na estrada nacional nº 1 e, ao que consta, com a aparelhagem de som a causar também impacto sobre o corpo do cantor.
***
Em 1985 tive o prazer de apresentar o Festival de Ílhavo e ainda ecoava o espírito e o orgulho pela projeção que este filho da terra, e referência deste festival e da música portuguesa, estava a atingir. Licenciou-se em medicina, mas nunca exerceu porque a música era o seu mundo exclusivo e total. Esteve no Festival da Eurovisão, criou êxitos para outras vozes. As suas canções ainda hoje estão na nossa memória afetiva e todas foram marcadas pelo êxito. São inesquecíveis e lindas. São tantas que é quase exaustivo nomeá-las.
***
Recordo que em 1984 Carlos Paião ganhou o Festival da Canção Portuguesa de Temática Histórica realizado no Casino da Figueira então aniversariante a comemorar o seu centenário. Foi um festival transmitido em direto pela RTP 1. Tive o privilégio de organizar o certame com a colaboração do António César Quaresma Ventura. Apresentei igualmente este Festival e abracei o Carlos Paião pela sua vitória perante outras conceituadas vozes como Maria Guinot, António Sala, Fernando Pedro ou o Grupo Quadrilha de Sebastião Antunes. A canção vencedora nunca foi gravada e reflete uma página brilhante da história do nosso país e da academia de Coimbra e, em particular, da região centro, retratando a viagem do Batalhão Académico na direção da Figueira da Foz, passando por Tentúgal, Carapinheira e Montemor-o-Velho, para salvar a pátria dos invasores franceses tendo conquistado o Forte de Santa Catarina a 27 de junho de 1808 o que obrigou os franceses a renderem-se e abrindo, assim, a barra do Mondego aos navios britânicos. Título da canção: Pró Fide, Pró Patria, Pró Regae. Pesquisem no YouTube que a encontrarão.
***
A vida de Carlos Paião está agora em filme designado PLAYBACK numa realização de Sérgio Graciano tendo estreado, ontem, em cinemas da rede NOS. Talento, humor e obsessão criativa foram pilares na vida e obra de Carlos Paião que estudou medicina nunca a exercendo, pois viveu apaixonadamente para a música e para o seu vasto público. Uma carreira apoteótica de apenas dez anos com notáveis resultados. Neste filme biográfico, Rafael Ferreira desempenha o papel de Carlos Paião e Laura Dutra o de sua esposa Zaida Cardoso.