6 de Outubro de 2022 | Coimbra
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VASCO FRANCISCO

Pela história de Coimbra

18 de Junho 2021

Nem toda a literatura se serve facilmente, havendo muitas obras que mal viram a luz do dia e os olhos do mundo. Dos tempos mais longínquos encontram-se em acervos particulares, arquivos e no comércio alfarrabista livros e tomos dispersos que se traduzem em obras eximias, geralmente com poucas reproduções e desprezadas pelos editores de outros tempos.

Para entender a História das sociedades, do património material e imaterial é indispensável não recorrer ao passado. Entre muito do que se perdeu ficaram a salvo obras escritas e iconográficas, que esclarecem e prestam conhecimento a todos os curiosos e estudiosos que se interessam pelas questões, “O que fomos? De onde somos?”.

Dando continuidade à tarefa a que se dedicou é exemplo dessa salvaguarda o Doutor Mário Araújo Torres. Resgatar o passado para o presente na reedição de obras que se julgavam desaparecidas, que graças à sua persistência e paixão pela História de Coimbra tem vindo a alcançar novas estantes e mãos interessadas. É de louvar a árdua e rigorosa recolha e análise que o Doutor tem feito em prol da literatura Coimbrã, da sua História e de todas as variantes que aborda nos livros que agora reedita. Voltamos assim a desfolhar as “Bellezas de Coimbra” de António Corte Real, “O Antiquario Conimbricense” de Manuel Coutinho, “História Breve de Coimbra”, entre outros títulos com que nos apresenta a Coimbra de antanho e os seus arredores. Entre muitas horas de arquivos e bibliotecas, Mário Torres continua na incessante reedição de obras que renascem muitas vezes em coletânea como os “Contributos para a Toponímia Coimbrã”.

Entre tantos nomes que se diluíram na poética cidade dos estudantes, muitos não foram nomeados com o mérito devido. A reedição de algumas das obras de Afonso Duarte vem de uma certa forma realçar essa necessidade, podendo assim voltar a ler de forma anotada e organizada a obra do poeta, pedagogo e etnógrafo nascido no Baixo Mondego. M. Torres trouxe-nos assim pérolas como “O ciclo do Natal na literatura oral Portuguesa seguido de um esquema do cancioneiro popular português”, e a coletânea de várias publicações periódicas e pedagogas em “Peregrinação ao Mundo Encantado das Crianças”, onde infunde “Os Barros de Coimbra”.

Em todas as obras com recolha de textos e notações de Mário Torres, é tê-lo como um Professor que nos acompanha na leitura das obras que nos apresenta. Deve-lhe um forte voto de gratidão a Lusa Atenas que assim vai somando na consolidação e no enriquecimento da sua cultura.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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