11 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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Património Cultural admite requalificação faseada do Colégio das Artes

16 de Junho 2023

O diretor-geral do Património Cultural, João Carlos Santos, realçou a importância histórica e arquitetónica do Colégio das Artes, em Coimbra, e admitiu uma requalificação por fases do edifício do século XVI.

Num primeiro momento, referiu, “importa haver uma visão global das obras a realizar, que depois permita fazer a intervenção de forma faseada ou não”, afirmou João Carlos Santos na apresentação do projeto de arquitetura de requalificação do Colégio das Artes, que teve lugar na passada sexta-feira (9).

“É um edifício que nos parece muito importante”, sublinhou, numa sessão promovida pelo Departamento de Arquitetura (DARQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC).

Citando José António Bandeirinha, professor catedrático e ex-diretor do DARQ, que pouco antes se referiu ao imóvel como “edifício adormecido”, o diretor-geral do Património Cultural lamentou que o antigo Real Colégio das Artes e Humanidades tenha sofrido igualmente, “durante muito tempo, de algumas insónias ou malfeitorias”.

Por outro lado, acrescentou, “viveu também bons sonhos”, revelando uma “adaptabilidade incrível e uma vida multifacetada” ao longo de quase 500 anos.

O vice-reitor da UC para o Património, Edificado e Turismo, Alfredo Dias, defendeu que é necessário “continuar a trabalhar para que a requalificação do Colégio das Artes, que alberga o DARQ, na Alta de Coimbra, possa ser realidade”. “Ninguém mais do que a Reitoria gostaria que fosse uma empreitada única e um processo único”, vincou.

Na sua opinião, cabe à Universidade de Coimbra empenhar-se no processo “sem desperdiçar nada”, desde logo ao nível dos financiamentos. “O desafio que temos pela frente é muito significativo. O Colégio das Artes é uma prioridade, mas não depende só da Reitoria”, ressalvou.

O processo para a requalificação do edifício foi iniciado em 2011, recordou, para salientar que, 12 anos depois, “estamos uns passos mais à frente”.

“O Colégio das Artes é uma marca tão forte da Universidade que merece estar equiparado à Biblioteca Joanina”, no Paço das Escolas, também construída no reinado de João III (1502-1557), preconizou, por sua vez, a historiadora de arte Maria de Lurdes Craveiro.

Para a também diretora do vizinho Museu Nacional de Machado de Castro, o Colégio das Artes “nasceu como um centro moderno, humanista e de vanguarda” da Europa quinhentista.

Ao longo dos séculos, foi “uma estrutura sólida e consolidada de conhecimento”, enfatizou.

Maria de Lurdes Craveiro, professora da Faculdade de Letras da UC (FLUC), preconizou a “recuperação de uma imagem vincadamente importante”, o Colégio das Artes, “que a Universidade foi negligenciando ao longo dos séculos”.

Segundo o professor catedrático do DARQ José António Bandeirinha, “numa primeira fase”, o projeto de requalificação “pretende resolver problemas estruturantes de impermeabilização, acessibilidade, eficiência energética”, acrescentando que o plano “está feito para seguir em continuidade até à instalação de uma unidade orgânica de arquitetura”.

O plano de intervenção no Colégio de Artes já tinha sido apresentando publicamente em finais de outubro de 2019. Esta será, assim, uma intervenção com vista a ser faseada e ainda sem prazos definidos, com uma estimativa de investimento de cerca de 10 milhões de euros. O plano dá continuidade a obras que já decorreram no bar ou nas salas de projeto, prevendo intervenções em todos os pisos do edifício, datado do século XVII, e que acolheu o antigo hospital.

Moderada por Luísa Trindade, professora da FLUC, e realizada no Pólo I da UC, no âmbito das comemorações do 10.º aniversário da inscrição do conjunto Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na lista de Património Mundial da UNESCO, a sessão contou ainda com a participação da subdiretora do DARQ, Susana Lobo, e dos docentes da instituição Alexandre Dias e Jorge Figueira, além do diretor do Colégio das Artes, Pedro Pousada.


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