Foi durante a apresentação do movimento “Outubro Rosa”, da Liga Portuguesa Contra o Cancro-Núcleo Regional do Centro (LPCC-NRC), na segunda-feira (29), que Natália Amaral, secretária-geral da direção do NRC, revelou que só no decorrer deste ano de 2025 já se registaram mais de 9.200 novos casos de cancro da mama.
Este cancro continua a ser a doença oncológica com maior incidência em Portugal, e apesar da evolução nos métodos de diagnóstico e tratamento, que têm contribuído para a redução da mortalidade, continuam a registar-se em média de 2.200 mortes por ano.
A responsável destacou a urgência em manter o foco na prevenção, mesmo havendo fatores que nem sempre estão ao alcance da pessoa. “Há fatores que não conseguimos controlar, como a idade ou a hereditariedade, mas há muitos aspetos da prevenção que dependem de nós, como por exemplo a alimentação equilibrada, o exercício físico e a vigilância clínica. O diagnóstico precoce continua a ser fundamental para salvar vidas”, afirmou.
Segundo a médica, o aumento de casos está também associado a alterações no estilo de vida, ao sedentarismo e à obesidade, fatores que podem ser combatidos com medidas de saúde pública e com maior consciencialização da população.
Um mês para prevenir e sensibilizar
Promovido pela LPCC há mais de três décadas, o “Outubro Rosa” é já um movimento global, mas que em Portugal assume particular relevância, dado o peso da doença entre as mulheres. O objetivo principal é alertar para a importância do rastreio e do diagnóstico precoce, bem como desmistificar preconceitos ainda existentes.
«Não tenham medo de fazer o rastreio», apelou Natália Amaral, lembrando que persistem mitos que precisam de ser desmistificados, designadamente o da mamografia que causa dor. “Pode não ser a experiência mais confortável, mas antes ter dor na mama do que ficar sem a mama», sublinhou.
A médica recordou ainda que muitas mulheres continuam a adiar os exames por receio, desconhecimento ou falta de acompanhamento médico regular. “Quando detetamos um tumor com menos de dois centímetros, a probabilidade de cura chega aos 90%. Este dado deve ser uma motivação para não adiar o rastreio”, reforçou.
Também Sónia Silva, psicóloga da Unidade de Psico-Oncologia da LPCC da Região Centro, lembrou que o movimento “Outubro Rosa” é hoje um símbolo de luta e esperança.
“É o cancro mais frequente na mulher no nosso país. O rastreio, agora dirigido às mulheres a partir dos 45 anos, é uma ferramenta essencial. Mas é igualmente importante que todas estejam atentas ao seu corpo ao longo da vida. Pequenas atitudes podem salvar vidas”, sublinhou.
Apesar dos números elevados, tanto a LPCC como os especialistas envolvidos sublinham que o futuro pode ser mais positivo se houver uma aposta firme na educação para a saúde, na prevenção e no rastreio regular.
“É essencial que as mulheres compreendam que esta não é uma doença que só atinge quem tem antecedentes familiares. Pode acontecer a qualquer uma de nós. Daí a importância de conhecer o corpo, estar atenta a alterações e procurar ajuda médica atempadamente”, reforçou Sónia Silva.
Mais de 120 atividades
Ao longo deste mês, o Núcleo Regional do Centro da LPCC vai promover um conjunto de atividades de prevenção e sensibilização, abertas à população.
Ao todo são 128 iniciativas programadas, das quais 75 são internas e promovidas pelos voluntários da LPCC-NRC, onde se incluem atividades de promoção para a saúde, eventos lúdico-culturais, caminhadas e iniciativas para angariação de fundos. Já em termos de atividades externas a Liga tem preparadas 53 iniciativas, desde sensibilizações e promoção, das quais 20 são educação para a saúde.
Entre as mais emblemáticas destaca-se a já tradicional caminhada “Pequenos Passos, Grandes Gestos”, marcada para o próximo dia 11 de outubro em Coimbra. A iniciativa, que vai já na 15.ª edição e que se espera a participação de cerca de 700 a 800 participantes, começa na Praça da República e terminará nos jardins do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, passando por pontos centrais da cidade.
“Felizmente a adesão tem sido crescente. Para além da caminhada, que promove hábitos saudáveis, temos também um movimento de solidariedade e partilha, com o envolvimento do grupo Vencer e Viver, constituído por mulheres que já enfrentaram a doença e hoje ajudam outras a ultrapassar o mesmo caminho”, explicou Sónia Silva.
A responsável destacou ainda que a caminhada é também uma forma de angariação de fundos, através da venda de t-shirts e outros materiais da campanha, essenciais para sustentar o trabalho da Liga.
No dia 20 de outubro, em Coimbra, realiza-se ainda a sessão “Herança genética e cancro no feminino”, uma tertúlia que contará com especialistas para esclarecer dúvidas sobre fatores hereditários, risco familiar e novas respostas da medicina nesta área.
Além destas iniciativas, estão previstas palestras em escolas e associações locais, ações comunitárias e momentos de partilha entre sobreviventes e mulheres em tratamento, reforçando a mensagem de que “é possível vencer o cancro da mama”.