14 de Maio de 2021 | Coimbra
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JOÃO PINHO

“O Despertar”: Muito mais do que um jornal

30 de Abril 2021

Quis o destino que o lançamento do meu 17.º livro fosse efetuado num espaço cultural de excelência da nossa cidade, sito na freguesia de Santa Clara, justamente, em frente ao Portugal dos Pequenitos, onde passei dos melhores momentos da minha infância e adolescência, então na companhia do meu avô Marques.

Esse mesmo destino levou a que tal ato cultural marcasse, por vontade da Câmara Municipal de Coimbra, o arranque do 47.º aniversário da Revolução de Abril – ou crise revolucionária, como também agora se alude na academia.

Senti-me feliz e realizado, rodeado de amigos, concretizando um sonho antigo de Lino Vinhal, administrador-diretor do jornal, um lutador de causas, um homem que sabe o que quer e para onde ir – o seu trabalho na condução da imprensa escrita, em especial do Grupo Mediacentro, não deixa margem para qualquer dúvida. E ele sabia, pois ao longo do tempo o foi reafirmando no nosso carinhoso “café da bôrra”, que eu seria capaz de honrar a memória centenária do periódico, que tem marcado sucessivas gerações em Coimbra e Região.

Estou-lhe grato por isso: pela confiança, paciência e apoio incondicional. Conseguimos, por entre ventos e marés, o nosso objetivo, que se tornou, de forma natural, um desiderato do atual poder em exercício no Município de Coimbra. Não poderia ser de outra forma, entre homens e mulheres que dialogam, que não desistem e que sabem unir para construir.

Os livros, para mim, são intemporais, não têm por isso prazo de validade. Os meus e os dos outros, quando feitos com rigor, seriedade e baseados na ciência histórica, enquanto campo multidisciplinar de atuação.

É, por isso, ridículo, diria mesmo anedótico, ler na política triste do Facebook, que um candidato à Câmara Municipal de Coimbra, tenha comentado a propósito de um momento cultural de e para todos que era «um livro apresentado com vários anos de atraso». Como se um livro tivesse prazo de validade, semelhante a um iogurte ou fatia de bom queijo limiano.

Apetece-me perguntar-lhe, na lógica de um jornal como este, onde venho tecendo, na qualidade de colaborador, as minhas páginas de livre opinião e expressão, se a sua candidatura como independente também tem prazo de validade, e se o seu encabeçamento a uma plataforma partidária também não chega com «vários anos de atraso».

Não brinquemos com coisas sérias. Na política não vale tudo. Este jornal, com 104 anos, sabe-o melhor do que ninguém.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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