1 de Dezembro de 2021 | Coimbra
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Nova maternidade de Coimbra avança no polo dos HUC

22 de Outubro 2021

A nova maternidade de Coimbra vai ser mesmo construída no polo dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). A decisão estava tomada pelo ministério da Saúde desde 17 de agosto mas foi apenas divulgada esta terça feira, no Salão Nobre da Câmara, numa cerimónia que contou com a presença do presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Carlos Santos, e do novo presidente do Município, José Manuel Silva.

Carlos Santos justificou este adiamento do anúncio com a necessidade de aguardar pela tomada de posse do novo Executivo, de forma a que esta infraestrutura seja trabalhada de “forma concertada”. Adiantou que o concurso para o projeto de arquitetura seria lançado ainda nesse dia ou no seguinte, prevendo-se que a nova maternidade esteja pronta a inaugurar ainda em dezembro de 2024.

Os novos serviços de obstetrícia e neonatologia, que substituirão as duas atuais maternidades da cidade – Daniel de Matos e Bissaya Barreto –, vão ser construídos de raiz no campo do polo dos HUC, num local que está agora destinado a estacionamento e que é designado como piso -4. Será, segundo anunciou o presidente do CHUC, uma área aprazível, “com áreas ajardinadas, com sol, luz e com todas as condições necessárias para o acolhimento de referência da puérpera ou da grávida”.

Carlos Santos considera que esta é a localização ideal para este serviço, tendo referido vários pareceres técnicos que justificam esta decisão. No seu entender, esta localização é na “ligação física a uma unidade hospitalar de apoio perinatal altamente diferenciada”. Realçou também que para o CHUC é importante que, nesta matéria, haja “um alinhamento com o ministério da Saúde e com o Governo mas também com o poder local, com a Câmara, que é, no fundo, quem mais próximo está dos impactos na saúde dos cidadãos que esta infraestrutura terá”.

Esclareceu que a decisão se prende com “razões fundamentalmente técnicas e de segurança, da grávida em primeiro lugar, porque efetivamente hoje as situações de risco acontecem com maior frequência, fruto do alargamento da idade de gestação o que acarreta riscos acrescidos para a grávida adulta”. Assim sendo, impera que seja garantida “essa segurança em situações de risco e alto risco”, tendo a localização sido decidida com base nessas premissas.

Carlos Santos destacou ainda o facto de “este serviço de obstetrícia e natalogia, como aliás os atuais, ser referência para todos os sete hospitais da região em resposta ao risco obstétrico”. “É este o desafio que queremos manter e relativamente ao qual temos obrigações para assumir”, enalteceu, referindo que este serviço vai servir, no fundo, “1,8 milhões de habitantes da região Centro”.

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, sublinhou a urgência que este serviço tem para toda a região. “Sempre dissemos que não iríamos obstaculizar a decisão técnica do ministério da Saúde em relação à localização da nova maternidade. Estamos aqui para apoiar essa decisão no sentido da sua rápida construção, porque é uma situação de emergência médica”, sublinhou.

Destaca a importância de assegurar, “numa altura delicada” da vida das futuras mães, um “apoio perinatal diferenciado, que pode ser necessário em situações de risco e de emergência para a grávida e para o bebé, situação que, neste caso, será acautelada com serviços integrados e de proximidade.

José Manuel Silva considera que é hora de “meter mãos à obra”, de avançar com o concurso e rapidamente com a construção do novo serviço de obstetrícia e natalogia de Coimbra. Explicou, ainda, que este projeto está integrado num “programa global do trânsito e da mobilidade do próprio hospital”, no sentido de melhorar os acessos e a questão do estacionamento naquela unidade hospitalar.

Sobre este assunto, Carlos Santos adiantou que o Plano Estratégico que está desenhado para o CHUC vai dar “suporte a estas questões da racionalidade e da própria mobilidade urbana”, área com a qual a Câmara também está comprometida, como sucede, por exemplo, com o Metrobus.

Mais estacionamento mas pago

Todo o parque automóvel dos HUC vai ser também requalificado o que, segundo o presidente do CHUC, “vai permitir aumentar em 20 por cento os lugares de estacionamento, que passarão de 1.450 para 1.723, de acordo com os estudos que estão previstos”.

“Aumentando a capacidade de estacionamento, desincentivando-o com a aplicação de tarifas e articulando com uma mobilidade inteligente, suave, apoiada nas soluções que a autarquia tem previstas, conseguimos efetivamente fazer com que a mobilidade urbana nesta zona da cidade seja substancialmente melhor do que é hoje”, frisa.

Os planos previstos para os Covões, nomeadamente com o reforço de alguns serviços e a deslocalização de outros dos HUC para aquela unidade hospitalar, deverão traduzir-se também em melhorias nesta área já que, de acordo com Carlos Santos, cerca de 1.000 pessoas vão passar a dirigir-se diariamente para os Covões, bem como cerca de 300 profissionais, o que compensará o “acréscimo esperado da construção do novo edifício de obstetrícia e natalogia, que tem em picos de procura uma procura estimada de 450/500 pessoas”.

A cumprirem-se os prazos previstos, a nova maternidade de Coimbra será uma realidade em dezembro de 2024. Carlos Santos adiantou ainda que a sua construção tem um custo estimado de 38 milhões de euros para a infraestrutura, mais 6,8 milhões de euros em equipamento.

CDU, PS e CpC contra localização

O anúncio da localização da nova maternidade no polo dos Hospitais da Universidade de Coimbra levou, de imediato, a reações de algumas forças partidárias que não concordam com a sua escolha, continuando a defender o Hospital Geral (Covões) como a melhor opção. A CDU considera que esta é “uma má notícia”, já que não resolverá a questão essencial da reabilitação dos Covões. A solução também não agrada ao PS, uma vez que surgirá numa “zona urbana já sobrecarregada”, continuando a defender os Covões como a melhor opção. Para o movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) esta é uma decisão errada, que surge “numa lógica sucessivamente acumulada de hipercentro hospitalar, com graves consequências para a cidade”. Lembra que o CpC “sempre se pronunciou pela urgência da construção da nova maternidade”, tendo feito mesmo uma petição pública, “num tempo em que era ainda possível associá-la ao reequilíbrio da rede hospitalar e à revalorização do Hospital dos Covões”.


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