27 de Outubro de 2021 | Coimbra
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JOÃO BAPTISTA

Nas margens do Ceira

25 de Junho 2021

O nosso jornal tem dado a palavra a muitos dos responsáveis autárquicos do nosso concelho. É a prática da democracia que esteve e está sempre nos seus princípios. Fácil tem sido concluir que todos se mostram insatisfeitos com o relacionamento que é devido com a autoridade municipal.

Verifica-se essa insatisfação em vários aspectos mas, muito especialmente, pela falta de cumprimento de promessas feitas, de projetos que disso não passaram, de compromissos assumidos e não cumpridos.

Como diz o velho ditado: “De promessas está o inferno cheio”. Nunca fui nem jamais serei inscrito em qualquer partido político e cada dia que passa me sinto mais satisfeito por essa opção que fiz. Tal, todavia, não abranda o meu interesse em contribuir para o bem comum e foi com base nesse sentimento que em 1997 fiz parte duma lista do PS que concorreu às eleições para a freguesia de Ceira. Os resultados foram relevantes pois lembro-me que numa eleição para nove membros o PS elegeu seis, o PSD dois e a CDU um.

Mas estes números não nos trouxeram qualquer espécie de conforto ou tranquilidade. Antes foram uma responsabilidade acrescida pela exigência que era feita aos eleitos por quem neles confiara. Formámos uma equipa homogénea, onde os pontos de vista de cada qual, se bem que algumas vezes divergentes, depois de discutidos, levavam sempre a encontrar a solução mais consentânea com o interesse geral e até a chamada oposição era ouvida nas suas revindicações e muitas vezes aceite quando tal era de interesse comum.

Já nessa época existiam grandes dificuldades no relacionamento com a entidade municipal que, pelo que agora se constata, não mudou de procedimentos.

Foram muitas as promessas feitas, foram muitas as evasivas nas respostas dadas, e, lembro-me bem que os membros do executivo de então chegaram a ponderar a demissão colectiva por se lhes apresentarem tantas dificuldades na resolução até de simples casos de pormenor.

A descentralização já então falada não foi cumprida e até uma simples reunião conjunta só foi conseguida quando nova época de eleições se aproximava.

É por isso que muito aprecio o trabalho sério que a grande maioria dos autarcas das freguesias desenvolvem no desempenho dos seus cargos, sacrificando horas de descanso em defesa do bem das populações que representam.

Na hora que passa chegam de diferentes pontos do país notícias tristes para quem coloca na honestidade o maior expoente das suas atuações. São inúmeros já os casos de falta de escrúpulos de muitos daqueles que não olham a meios para atingir os seus interesses pessoais ou de amigos.

É a triste situação deste País que conta entre alguns dos seus responsáveis, em diferentes e variadas áreas, pessoas que não conhecem o que é trabalhar em prol dum povo sem qualquer intenção oculta menos honesta.

Daqui saúdo todos aqueles que há mais de vinte anos, das três forças partidárias, estiveram comigo num conjunto de pessoas que saiu com a certeza do dever cumprido e que só não foi melhor porque a tanto não os deixaram.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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