27 de Outubro de 2021 | Coimbra
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Ministra da Saúde nega “decisão política” para desmantelar Hospital dos Covões

2 de Julho 2020

A ministra da Saúde afirmou ontem (1 de julho) que “não há decisão política” para desmantelar serviços no Hospital dos Covões nem nenhum plano estratégico para o desenvolvimento do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Marta Temido foi questionada por deputados durante uma audição na comissão parlamentar da Saúde, onde foi ouvida. “Sobre se tem o Governo algum estudo técnico para justificar a transferência de serviços do Hospital Geral [dos Covões] para os hospitais da Universidade de Coimbra, não. Fundamento para a reclassificação da urgência, não. E estudo que sustente este tipo de opção também não”, respondeu a ministra.

“De resto, também não há uma decisão política”, acrescentou, salientando que os estudos técnicos “têm de ser norteadores daquilo que são as opções, mas têm de ser também partilhados e participados”

Marta Temido salientou ainda que existe uma equipa de gestão no CHUC, “que começou o seu trabalho há poucos dias”, e defendeu que se deve “apostar no trabalho da construção de um centro hospitalar que seja consistente, sustentável, integrado, e que não privilegie nenhuma das suas instituições originárias por qualquer razão”.

“E também me perguntavam pelo plano estratégico. Também não há nenhum plano estratégico para o desenvolvimento do CHUC. Pelo menos que tenha sido entregue nos últimos tempos. Não digo que no passado não possa ter existido e até ainda anterior à constituição do centro hospitalar, para cada uma das unidades”, disse.

Várias entidades de Coimbra têm denunciado o alegado esvaziamento do Hospital dos Covões e ontem realizou-se mais uma manifestação em defesa do hospital, com uma caravana automóvel a percorrer várias ruas da cidade, numa iniciativa que terminou com os discursos na Praça da Canção.

Recorde-se que, na segunda-feira, a Assembleia Municipal de Coimbra repudiou o “desmantelamento e destruição de serviços de referência” e a “delapidação de recursos” em saúde e exigiu que a administração do CHUC considere o Hospital dos Covões de “primordial importância”.

A moção, apresentada pelo PS, manifesta “repúdio pela ação de administrações cessantes do CHUC”, que têm “demonstrado irredutibilidade no desmantelamento e destruição de serviços de referência, e delapidação de recursos organizativos em saúde”.

Simultaneamente, é colocado “em causa o processo de fusão hospitalar” (no âmbito do qual foi, em 2010, criado o CHUC), acrescenta a moção, que exige à nova administração do CHUC (já nomeada) um Plano Estratégico Funcional, que “respeite e considere” o Hospital dos Covões como “estrutura de referência, que sempre foi, e de primordial importância”.

Pelo seu lado, o novo presidente do conselho de administração do CHUC, Carlos Santos, negou que esteja em curso qualquer processo de desqualificação do Hospital Geral.

“Os objetivos e os planos para o Hospital Geral não estão nem de longe nem de perto associados a qualquer desqualificação. Pelo contrário, há uma permanente qualificação e projetos para aquela unidade hospitalar, que é absolutamente essencial para a estratégia do CHUC como um todo”, disse o responsável à agência Lusa.

Uma petição com o título “Devolver a autonomia ao Hospital dos Covões do Centro Hospitalar de Coimbra – Pelo direito ao acesso a cuidados de saúde de qualidade” deu entrada na Assembleia da República a 01 de junho e é subscrita por 4.493 peticionários.

O CHUC agrega os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o Hospital Geral Central (vulgarmente conhecido por Hospital dos Covões), o Hospital Pediátrico, as duas maternidades da cidade (Bissaya Barreto e Daniel de Matos) e o Hospital Psiquiátrico Sobral Cid.


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