16 de Setembro de 2019 | Coimbra
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Mais de 60% dos cancros do pulmão são diagnosticados numa fase avançada

11 de Janeiro 2019

Diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces é o grande desafio dos especialistas que lidam com esta doença que, de acordo com dados divulgados recentemente, é diagnosticada tardiamente em cerca de 60 por cento dos doentes.

Fernando Barata, presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, admite que esta não é uma tarefa fácil, uma vez que “o cancro do pulmão progride durante anos de forma assintomática”.

“Em cerca de 60 por cento dos doentes o diagnóstico faz-se numa fase avançada o que condiciona opções terapêuticas mais eficazes com uma consequente redução da sobrevivência”, alerta, dando conta que nos casos em que o tumor é diagnosticado numa fase precoce, em “estadios iniciais, a sobrevivência aos cinco anos ultrapassa os 50 por cento, versus o diagnóstico já em fase avançada, com sobrevivências aos cinco anos inferiores a cinco por cento”.

Fernando Barata considera, por isso, que é determinante estar atento aos sintomas. Tosse, expetoração e falta de ar são alguns dos mais comuns, mas é a expetoração raiada de sangue o sintoma mais alarmante para os doentes e aquele que os costuma levar ao médico. Já a tosse, esclarece o especialista, muitas vezes atribuída ao tabaco ou a causas ambientais, não é valorizada, erradamente, como sinal de alarme. “Aqui, o que é importante é alertar para a persistência do sintoma. Se a tosse perdura ao longo do tempo, esta deve levar o doente ao seu médico de medicina geral e familiar”, alerta.

Atualmente a população parece estar mais informada sobre este tema e tem sido feito também um reforço da investigação nesta área. “Os últimos anos foram de revolução em relação à investigação sobre o cancro do pulmão. A imunoterapia e a terapia-alvo foram passos importantíssimos. A quantidade de novos fármacos de elevada eficácia e baixa toxicidade constitui uma verdadeira revolução”, reforça o médico.

Mas, no seu entender, continua a ser preciso mais, como a implementação de um programa de rastreio para o cancro do pulmão, tal como já acontece com outros tumores. Fernando Barata acredita que num futuro não muito distante o caminho deverá passar também por aí. “Nos próximos anos temos que definir quem rastrear, qual o melhor método de rastreio e criar a nível nacional toda uma estrutura para o implementar”, defende.

Até lá, deixa o apelo às pessoas para que estejam atentas aos sintomas e para que reduzam os fatores de risco, sendo um dos mais importantes o tabaco, em todas as suas formas, incluindo o tabaco aquecido e o eletrónico.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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