A cidade de Coimbra recebeu, na sexta-feira (30), a cerimónia de entrega do Prémio Nacional do Artesanato, um momento importante para o setor que viu, pela primeira vez na sua história, a iniciativa ser descentralizada para fora de Lisboa, escolhendo o CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património como palco.
Durante o evento, Adriano Rafael Moreira, secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, destacou a necessidade urgente de dar sustentabilidade económica ao setor e de olhar para o artesanato como uma verdadeira atividade profissional e geradora de rendimento, destacando ainda que pretende que o CEARTE se assuma como Centro de Competências para o artesanato e seja “uma referência” nacional.
“Lançamos o desafio de se virem a assumir progressivamente, e na praça pública ser assim identificados, como o Centro de Competências do artesanato”, afirmou Adriano Rafael Moreira.
Apesar do CEARTE ter já um percurso indiscutível, formando centenas de profissionais, o secretário reconhece que é preciso mais.
“O CEARTE já é, hoje em dia, um Centro de Competências indiscutível, mas não tem ainda a notoriedade nacional que pretendemos que venha a ter”, observou.
O Secretário de Estado revelou ainda medidas concretas para o setor, destacando a criação de um calendário nacional de feiras, seminários e eventos de promoção, a ser divulgado atempadamente para que profissionais e público possam organizar as suas agendas. Adriano Rafael Moreira garantiu também um reforço na monitorização e apoio aos canais de distribuição dos produtos artesanais.
“É da máxima importância que, e numa linguagem do trabalho e da economia, o consumidor saiba onde poderá vir a encontrar os produtores destas artes e, por outro lado, onde é que o artesão, o produtor destas artes, sabe que há canais e redes de distribuição dos produtos”, detalhou.
Durante o seu discurso, Adriano Rafael Moreira sublinhou que, independentemente do valor cultural indiscutível, é preciso “olhar para o artesão como uma área de trabalho”.
Pedro Amaro, presidente do conselho de administração do CEARTE, destacou que “o artesanato português é muito mais do que um eco do passado, é um património vivo, em permanente renovação, que continua a afirmar-se pela autenticidade, pela qualidade e pela singularidade das suas produções.”
A cerimónia culminou com o reconhecimento público dos grandes talentos do país. O Grande Prémio Carreira foi entregue a António Oliveira Cardoso pela sua dedicação à arte da filigrana, enquanto o Prémio Empreendedorismo e Inovação distinguiu a marca SO-SO pelas suas peças de decoração e brinquedos em madeira. Na categoria Jovens Talentos, a distinção foi para André Silva Panoias (TipoFábrica, Lda) pela Arte Pastoril, e o Prémio Investigação distinguiu Carolina Mendes pelo seu estudo sobre a viola de arame amarantina. Por fim, as entidades que dinamizam o setor foram também celebradas. O Prémio Promoção para Entidades Privadas distinguiu o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, em Coimbra, e na vertente pública o galardão foi atribuído ao Município da Covilhã.