A cidade de Coimbra prepara-se para viver uma noite de música e memória no Convento São Francisco. É já amanhã, dia 4 de outubro, às 21h30, que o Grande Auditório abre portas à IX Grande Noite do Fado e da Canção de Coimbra, este ano dedicada ao maestro Virgílio Caseiro.
Figura maior da vida musical coimbrã, Virgílio Caseiro deixou marcas profundas no ensino, na direção coral e na própria identidade da Canção de Coimbra. Para muitos, foi mestre, para outros, companheiro de palco ou de tertúlias musicais. Para todos, uma referência incontornável.
A homenagem surge no contexto do festival Correntes de Um Só Rio, promovido pela Câmara Municipal de Coimbra, que em 2025 se debruça sobre dois nomes maiores: Carlos Paredes e Virgílio Caseiro. Ao longo de cinco dias, a programação cruza património, tradição e contemporaneidade, tendo como momento alto esta grande noite de convergência.
“É um tributo de toda a cidade e da região a alguém que realizou uma intervenção cultural notável”, afirmou Rui Paulo Simões, diretor artístico do espetáculo, durante a conferência de imprensa de apresentação, que decorreu na terça-feira (30), no Convento São Francisco, em Coimbra. Ao longo da sua intervenção sublinhou a dimensão plural do maestro. “O percurso de Virgílio Caseiro não se esgota na música. Além das facetas orquestral e coral, destacou-se também como poeta e pintor. É essa riqueza que queremos mostrar e celebrar”, disse.
A programação foi desenhada como uma viagem cronológica: das primeiras influências musicais às décadas em que Virgílio Caseiro assumiu uma carreira artística plena, passando pelo impacto que teve em várias formações. “Não é possível, num espetáculo convencional, reunir todas as instituições que ele fundou, dinamizou ou integrou”, explicou Simões. “Mas conseguimos criar um programa representativo, e todos os organismos contactados disseram sim de imediato, numa verdadeira corrente de afectos à volta do mestre.”
O palco reunirá nomes ligados à sua trajectória, entre os quais o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, o Orfeon Académico de Coimbra, a Orquestra Clássica do Centro, a Schola Cantorum, os Heróis da Música e o grupo Ars Musicae, além de vozes de fado e guitarras de várias gerações.
A expetativa é a de uma noite intensa, onde música, memória e afeto se entrelaçam. Como sintetizou Simões, “se cada coro tiver trinta ou trinta e cinco elementos, o número de pessoas que foram tocadas e formadas pelo mestre é extraordinário. Esse efeito multiplicador é a prova do impacto da sua obra.”
A Grande Noite do Fado e da Canção de Coimbra será, assim, mais do que um concerto: um gesto coletivo de gratidão a um homem que ajudou a moldar a identidade musical da cidade.