13 de Maio de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Impossibilidades

13 de Março 2026

(Prosa – Verso)

I

Num hospital onde permaneci,

Que fatalidade conheci?

II

P’lo acordar, não desperta o Sol, o alvorecer.

Bocejo atordoado,

A preguiça de ainda ser,

Com um estribilho a saber a fado,

E audível de qualquer lado:

«Não há toalhas!»

E continua o fado.

III

Não há toalhas,

Não se toma banho!

Não há pijamas,

Ó que «catano»!

Lençóis, cobertores, almofadas, batas,

Não há, «c’um caraças»!

IV

Ó que roupas malfadadas,

Que chegam sempre atrasadas.

V

 

Auxiliares e enfermeiras, desesperadas,

Correm os corredores esperançadas,

Encontrar um lençol num armário abandonado,

Que de toalha faça vezes,

Quantas vezes?

VI

E eu, à porta do quarto,

Olho tudo aquilo com desdém, desabrimento,

Com a consciência de que hoje não vou ter toalha.

Valha-me Santo António…das toalhas…


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