Há dias desafiei um amigo para um passeio de bicicleta pelo bairro. Nada de radical, apenas uma prova de sobrevivência contra a minha má forma física.
A minha bicicleta estava com os pneus em baixo e por isso pedi ajuda para os poder encher. Enquanto o meu amigo enchia os pneus, com um ar de quem domina a arte de dar à bomba, contou-me uma história que me fez soltar umas belas gargalhadas.
Queridos leitores, é essa história que hoje partilho nas páginas do nosso jornal…
Há uns anos, numa pequena cidade do distrito da Guarda, um senhor entrou numa agência bancária, levando na mão um pequeno saco onde estava uma bomba.
Tratou dos seus assuntos, tranquilamente, e foi para casa. Depois de almoço, aquele senhor percebeu que o saco tinha ficado no banco e, depois de confirmar que a agência ainda estava aberta, fez um telefonema.
— Estou sim, olhe… esqueci-me aí na agência de um saco com uma bomba … se fizerem o favor, não mexam no saco que eu já aí vou. Disse isto com a mesma calma de quem pede para guardarem um guarda-chuva.
Do outro lado do telefone… silêncio.
O cliente do banco, educado, despediu-se e pôs-se ao caminho.
Queridos leitores, imaginem o cenário na agência… a funcionária que atendeu a chamada ficou branca como a cal.
— Chamem a polícia! Chamem a polícia! — repetia, num tom dramático.
O gerente, que até ao momento estava preocupado com créditos e depósitos, perguntou:
— Mas o que aconteceu???
— Telefonou um senhor a dizer que deixou aqui… uma… BOMBA! – exclamou a funcionária assustada.
Instalou-se o caos: carros da polícia, perímetro isolado, toda a gente na rua, clientes a pensar se algum dia voltariam a ver o seu dinheiro.
E então… entra em cena, de novo, o protagonista desta história. Chega à rua onde está localizado o banco, olha à sua volta, vê o cenário digno de um filme e aproxima-se, calmamente, de um dos polícias.
— Olhe, o que é que se passou? – perguntou.
— Recebemos uma chamada. Há uma bomba dentro da agência – informa o polícia.
Com um olhar confuso, o cliente do banco diz:
— Ah… fui eu que liguei.
O polícia fez um olhar ainda mais confuso, enquanto escutou:
— Eu deixei aqui um saco… com uma bomba para encher os pneus da minha bicicleta…
— Homem, que susto nos pregou!!!
Em poucos minutos, o cenário de um crime transformou-se num cenário de uma reunião entre funcionários bancários, polícias e um senhor com uma bomba que, afinal, só servia para dar ar aos pneus de uma bicicleta.
Passaram-se anos desde este episódio, e a bomba que encheu os pneus da minha bicicleta fazia parte desta história…
Há histórias que carregam gargalhadas…