Esta interrogativa foi-nos proposta para lhe respondermos com sucesso, mas tendo o tema infindáveis implicações, torna-se difícil imaginarmos o resultado dessa catástrofe humana, que metaforicamente produziria o caos no mundo que nos rodeia, onde tudo se transformava numa distopia.
Imaginemos a dificuldade com que os povos primitivos comunicavam entre si, quer face a face, quer à distância, sem saberem ler nem escrever?: por gestos na comunicação oral, por sinais convencionais – porque, geralmente, a forma de se expressarem era divergente – , obrigando a um inter-relacionamento complexo para obterem a homogeneidade de expressão.
Todavia, a luta pela própria sobrevivência obrigava-os à disputa de bens escassos, gerando novos conflitos entre as hostes, mas com a invenção das várias formas de escrita, das quais destacamos a escrita não duradoura (na areia), e cuneiforme, usada pelos os Assírios e os Caldeus, etc., as civilizações deram um passo de gigante, a partir do qual o esforço de comunicação entre eles evoluiu, e cada aglomerado suficientemente populoso formou cidades independentes, cada uma com a sua língua própria, tal como se vem desenvolvendo desde a invenção da tipografia entre as nações.
Volveram-se assim, hipoteticamente, às dificuldades de comunicação, sentidas pelos povos primitivos, mas com a vantagem de já haver suportes escritos de cada idioma que, por força dos contactos necessários para o mútuo entendimento, e em razão da troca de bens e serviços, encetaram as respetivas traduções, e os livros proliferaram no seio de cada nação e, seguidamente, entre elas, abrindo um caminho muito mais hábil às diversas culturas, com que se incentivou o gosto pela leitura nos mais variados campos do saber.
Mas, se por uma suposta convulsão, a convivência social impusesse o sequestro da leitura, até que os povos se desensarilhassem dessa teia, o que seria deles, pois não podiam ler porque deixaram de ter suporte para tal exercício cultural e social. O que seria deles se a leitura fosse proibida ou esquecida – como, praticamente, aconteceu em Portugal durante a ímpia, mas renegada Inquisição, e também nos regimes comunistas com dissidentes do regime e, por outro lado, privando-os da leitura para os manterem na ignorância das atrocidades cometidas, sobretudo as vítimas da sua criminosa perseguição política – projetando, inexoravelmente, os seus efeitos na cognição humana, na empatia e na estrutura social.
A distopia mostra uma sociedade que optou por deixar de ler, substituindo-a pelo entretenimento superficial e rápido, convertendo-se numa população vazia e agressiva. Há autores que questionam como a internet e os ecrãs estão a alterar a capacidade de leitura profunda, conduzindo a um cenário onde a leitura linear pode desaparecer. Outros há que abordam a perda da capacidade de ler e compreender textos clássicos, argumentando que isso leva à perda da própria humanidade. A literatura sobre o tema “e se deixarmos de ler”, realça que, geralmente, sem leitura a sociedade perde a capacidade de pensamento crítico e a compreensão da complexidade humana, convertendo-a no caos e na distopia.
Portanto, todos devemos estimular a leitura entre os jovens, envolver a família nesse propósito, e facilitar o acesso aos livros para aquelas faixas etárias, são, felizmente, os objetivos de muitas escolas, como por e.x.: Escola Vasco da Gama, em Lisboa; Escola Básica do Paço, em Valongo; Escola Básica e Secundária de Albufeira; Escola Básica da Mota, em Celorico de Basto; e o Prémio de Literatura Infantil “Pingo Doce”, cujas iniciativas são de louvar a todos os títulos, para que nunca se caia na tentação de se deixar de ler!
(Cfr. diversas leituras e o Google)