13 de Maio de 2026 | Coimbra
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Martinho

DOS SONHOS E DOS PESADELOS

27 de Março 2026

Existe uma vasta quantidade de material científico, psicológico e neurológico sobre os sonhos que temos durante a noite. A ciência moderna demonstra que os sonhos não são apenas “filmes aleatórios”, mas sim um processo ativo do cérebro para consolidar memórias, processar emoções e simular situações reais.

Estes temas (sonhos e pesadelos) foram pensados e desenvolvidos pelo Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, na sua obra fundamental “A Interpretação dos Sonhos”, na qual descreveu: os sonhos não são absurdos ou produtos puramente fisiológicos, antes são expressões simbólicas de desejos inconscientes que foram reprimidos durante a vigília (estado de consciência desperta, ou seja, a vida real que experimentamos quando estamos acordados)

Freud e outros estudiosos da Psicanálise sublinharam que os sonhos são reelaborações de vivências, pensamentos e desejos da vida de vigília; que o sonho é, frequentemente, uma extensão do que aconteceu ou foi sentido durante o dia e, na sua análise acerca do “Contraste da Realidade” conclui que, enquanto a vigília se caracteriza por objetos externos, objetivos e independentes do observador, o sonho é visto como um cenário subjetivo, criado pela mente, salientando que todo o sonho é, no fundo, a realização de um desejo inconsciente. Mesmo os sonhos angustiantes podem ser interpretados como a satisfação disfarçada de um desejo que o consciente não aceitaria.

E Freud continua afirmando que o sonho e o inconsciente são um produto que utiliza uma linguagem metafórica para expressar o que a mente reprimiu, mostrando que o inconsciente está ativo mesmo durante o sono. Apesar de a maioria dos sonhos refletir, de alguma forma, aquilo por que se está a passar na vida real, também existem sonhos que lidam com expectativas, medos e desejos enraizados. Estes sonhos costumam parecer mais intensos e reais, pois tratam de assuntos que nos são queridos e que estão impressos na nossa alma. É por isso que os pesadelos (suores frios, coração acelerado e uma terrível sensação de não nos conseguirmos mexer enquanto dormimos) podem demorar dias a dissipar-se.

Nesta sequência de considerações surge-nos o chamado “Distúrbio do Pesadelo” (ou transtorno do pesadelo), como sendo uma “parassonia”, caracterizada pela ocorrência repetida de sonhos assustadores, vividos e detalhados, que provocam um despertar abrupto do sono. Esses sonhos geralmente envolvem ameaças à sobrevivência, segurança ou integridade física, causando ansiedade, medo ou outras emoções negativas intensas e, se frequentes, podem sinalizar doenças e, se forem recorrentes, são mais do que simples sonhos ruins, por que podem indicar desequilíbrios emocionais ou traumas não solucionados. Muito comum na infância e também na vida adulta, o pesadelo é definido como um transtorno do sono REM (sono profundo que acontece na segunda metade do sono – 4ª FASE).    Na teia dos acontecimentos durante o sono pode acontecer uma fase com certeza vivida por todos nós, a chamada “paralisia do sono”, já aqui subentendida: -acordar, mas não conseguir mexer-se. É a sensação de estar a ser observado, sufocado, mas não identificar o motivo; ter medo e não conseguir gritar. E apesar de todas as atribuições sobrenaturais dadas a esse fenómeno, a ciência tem a resposta para a paralisia: o tratamento padrão é a orientação para medidas de higienização do sono, do tipo dormir sempre na hora habitual, evitar o uso de eletrónicos, de estimulantes perto da hora de deitar (bebidas alcoólicas, café ou chá) e manter um ambiente tranquilo no quarto e, se aconselhável, tomar algum medicamento prescrito pelo médico.

A função dos sonhos é a de atuar como uma terapia noturna, ajudando o cérebro a processar vivências stressantes e regular o humor; usa esse tempo para organizar o que foi aprendido durante o dia, fortalecendo memórias e descartando informações irrelevantes e, também, que os sonhos podem servir como um laboratório interno, preparando-nos para lidar com situações difíceis.

Num sentido mais vasto e mais fácil, com certeza que o leitor já pôde preceituar que os animais domésticos também sonham. Estudos científicos demonstram que mamíferos, incluindo cães e gatos, passam por ciclos de sono semelhantes aos dos humanos e experimentam sonhos, especialmente durante a fase de sono REM.

Nota: Este trabalho onírico resultou de pesquisa vária de alguns autores consagrados, que nos encaminhou para esta conceptualização.


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