26 de Outubro de 2020 | Coimbra
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Cozinha Económica adapta-se para assegurar resposta digna a quem precisa

16 de Outubro 2020

Responder condignamente a todos aqueles que, neste cenário de crise, precisam de ajuda é o grande desafio da Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel. A instituição, que conta já com muito perto de nove décadas, continua a desempenhar um importante papel social no “coração” de Coimbra, tendo vindo a adaptar as suas respostas de forma a poder continuar a chegar não só a quem precisa de um prato de comida quente mas também a outras franjas da população que precisam de outro tipo de ajuda ou acompanhamento.

Fundada a 4 de julho de 1933, no Dia da Cidade e da Padroeira de Coimbra, a Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI), situada no Terreiro do Mendonça, na Baixa, tem vindo a adaptar as suas respostas de forma a “assegurar uma resposta digna” a todos os que precisam. A presidente, Ana Maria Medeiros, não esconde as preocupações e desafios que a Covid-19 trouxe também a esta Instituição Particular de Solidariedade Social que teve que encontrar soluções para garantir refeições quentes aos seus utentes, mesmo que em serviço de take away, ao mesmo tempo que assegurou novas respostas para todos aqueles que, em período de confinamento, deixaram de frequentar as suas valências, continuando a precisar de ajuda a vários níveis.

“A Covid-19 surpreendeu-nos a todos mas, desde a primeira fase, foi ponto assente que não podíamos encerrar os nossos serviços uma vez que apoiamos as pessoas com bens muito essenciais, como é a alimentação”, recorda. Assim, a prioridade era manter o Refeitório Social, onde serviam, até aquela altura, refeições a cerca de 300 pessoas.

“Era necessário assegurar a sobrevivência como resposta imediata. Para além do Refeitório, apoiamos também os idosos, quer em Centro de Dia, quer em Apoio Domiciliário, e portanto estávamos perante um público muito, muito vulnerável”, realça.

Nos primeiros oito dias o Refeitório ainda se manteve em funcionamento, com um utente por mesa, mas rapidamente a Direção se apercebeu de que “não era exequível devido ao volume de refeições que serve”. Era, então, preciso pensar em alternativas. No Refeitório a solução foi o take away, no Centro de Dia os serviços foram domiciliados e os idosos passaram a ser acompanhados em casa.

Mas, para além dos utentes habituais, novos pedidos de ajuda surgiram, sobretudo a nível alimentar, alguns encaminhados por outras instituições. De acordo com Ana Maria Medeiros, entre março e junho o Refeitório Social “passou a acompanhar mais 204 pessoas, subiu de 300 para mais de 500”. O número crescente de utentes levou, naturalmente, a que fossem necessárias muito mais refeições. “Em janeiro/fevereiro as refeições rondavam as 15 mil por mês, número que disparou logo em março. Em setembro tivemos 19.500 refeições encaminhadas, isto porque há pessoas que fazem duas refeições – almoço e jantar”, explica, sublinhando que a instituição se empenhou em criar “uma rede de suporte que permitisse que a alimentação pudesse chegar a todos aqueles que precisam”.

Idosos em casa mas sempre acompanhados

Assegurar a alimentação era fundamental, mas garantir o necessário apoio aos idosos também. A instituição continuou a ajudá-los naquilo que necessitavam, como compras, apoio domiciliário e também a nível psicológico, através de um grupo de psicólogos que disponibilizaram algum do seu tempo para, através de telefone, avaliarem o estado em que se encontravam.

Também nesta vertente dos idosos houve várias situações novas que surgiram – perto de três dezenas -, que foram sinalizadas e encaminhadas para a ACERSI por outras entidades, sobretudo “idosos que estavam isolados, que ficaram confinados e que não tinham nenhuma rede de suporte, nem familiar nem social, que lhes valesse”. Ana Maria Medeiros explica que, apesar do distanciamento físico imposto pela pandemia, a instituição “tornou-se ainda mais próxima dos seus utentes e mais consciente das suas reais necessidades”.

Com o desconfinamento surgiu mais trabalho, já que, nesse período, a equipa detetou que “havia muitos problemas aos quais era necessário dar resposta” e casos que “exigem avaliação mais profunda”.

Ana Maria Medeiros alerta ainda para outra franja da população “muito vulnerável” que a instituição acompanha – os sem abrigo e as pessoas que vivem em “situação precária”, em casas abandonadas ou pensões. Responder a esta franja assumiu-se também como um grande desafio. “Tudo era mais difícil neste caso. Como é que se diz a alguém que vive num quarto sem janela para o arejar? Como é que se pede a alguém que fique confinada quando vive numa pensão em que partilha uma casa de banho com mais sete ou oito pessoas?” – questiona.

Paralelamente tornou-se também urgente responder aos novos casos que surgiram, de pessoas e famílias que tinham uma vida estável e que foram “apanhadas de um modo completamente inesperado”, já que “não tinham vínculos laborais, faziam umas horas ou trabalhavam a dias”.

Ana Maria Medeiros frisa que todos estes casos foram encarados como “prioritários” pela instituição.

Mais apoios, mais custos

Com o aumento generalizado dos pedidos de apoio, cresceram também, de forma inesperada, as despesas. A presidente explica que a instituição se confrontou com “muitas despesas que não estavam orçamentadas” e que resultaram destes novos desafios, aos quais era imperativo responder.

A par com as novas despesas (como equipamento de take away, compra de água, equipamentos de proteção individual, desinfetantes…), houve também quebra em alguns donativos, como no caso do pão, uma oferta que terminou porque a empresa deixou de laborar.

A sociedade tem estado atenta ao trabalho que a instituição tem vindo a desenvolver e tem sido solidária. Neste momento, é esse o apelo que a Direção renova a todos – para que continuem a olhar com carinho para a Cozinha Económica, sendo certo que “qualquer ajuda que venha, por menor ou maior que seja, é muito bem vinda”.

“Esta é uma casa de todos, da população de Coimbra, e a comunidade que servimos merece a maior atenção porque é a que está mais vulnerável”, alerta, pedindo a todos que possam para que “continuem a ajudá-la a responder às pessoas e a assegurar, acima de tudo, não só a sobrevivência mas a dignidade integral de todos”.

Neste momento, uma das prioridades é mesmo o Refeitório Social que, de acordo com Ana Maria Medeiros, precisa de equipamentos para tornar mais eficaz a confeção das refeições. “É necessário renovar o que temos. Estão sempre a aparecer equipamentos que facilitam a vida e economizam recursos. Portanto precisamos que esta casa, mais uma vez, possa renovar a cozinha, com equipamentos mais funcionais e eficazes”, frisa.

Sempre com olhos postos no futuro, a instituição quer continuar o trabalho que tem vindo a desenvolver nestes seus 87 anos a nível social e comunitário, respondendo a todas as faixas etárias – crianças, jovens, adultos e idosos que se encontrem “em situação sócio-económica extremamente deficitária”. Atualmente, a nível social, dispõe do Refeitório Social (o único na cidade), Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário. Para completar estas respostas assegura Serviço de Rouparia, Centro de Correspondência, Estudo Acompanhado e Apoio na Terapêutica Medicamentosa. Já este ano, em março, pouco antes do início da pandemia, abriu a “Oficina dos Avós”, na sede da Junta de S. Bartolomeu, um projeto desenvolvido em parceria com a União de Freguesias de Coimbra que visa promover o envelhecimento ativo e saudável, através da dinamização de ateliêrs diversos, como informática, costura, aulas de ioga e um programa intergeracional.

Concerto Solidário de Natal em dezembro

A Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel vai realizar, a 17 de dezembro, às 21h00, no Grande Auditório do Convento São Francisco, um Concerto Solidário de Natal. Apresentado por Catarina Camacho e José Paulo Relvas, este espetáculo vai contar com a participação da Academia de Música de Coimbra, Anaquim e Pensão Flor.

Trata-se de mais um evento solidário que a instituição promove com o intuito de angariar receitas que lhe permita continuar a assegurar apoio aos utentes que acompanha.

“Contamos com a presença de todos quantos puderem estar porque temos o Grande Auditório do Convento, que nos foi cedido, e que mostra bem a nossa expetativa e também o carinho que as pessoas têm tido por esta casa”, convida Ana Maria Medeiros.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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