A Taberna Cova Funda/Espanhol, o bar “O Moelas”, a Taberna Toca do Gato e a República dos Galifões vão ser reconhecidos como entidades de interesse histórico e cultural. As propostas para esta classificação foram aprovadas pelo Executivo municipal, na reunião de Câmara de segunda feira.

Taberna Cova Funda/Espanhol
A Cova Funda/Restaurante Espanhol, situados na Rua da Sofia, n.º 113, existem antes de 1930. A candidatura que apresentaram atesta, ainda, o histórico de atividade do estabelecimento no contexto socioeconómico e político de Coimbra, com quase um século de existência, bem como uma atividade ininterrupta de restauração e convívio, com destaque para reuniões espontâneas após o 25 de Abril de 1974 e a presença de figuras históricas desse período. O estabelecimento desde sempre agregou uma heterogenia de clientela, sendo que muitos desses clientes ainda hoje frequentam o local, o que lhe atribui o estatuto de referência sociológica e gastronómica para a cidade. Está também provado o esforço do proprietário na preservação e conservação do seu património material, ao manter os traços arquitetónicos e alguns elementos decorativos iniciais e, ainda, ao assegurar a conservação do variado espólio documental, desde fotografias a instrumentos de cozinha e serviços de vinho originais deste estabelecimento.
Igual reconhecimento merece “O Moelas”, estabelecimento situado no Largo da Sé Velha. Iniciou a sua atividade a 1 de novembro de 1974, estando, por isso, validado o parâmetro da longevidade para poder ser reconhecido como entidade de interesse histórico e cultural. A candidatura confirma, ainda, o histórico de atividade do estabelecimento no contexto académico e tradicional de Coimbra e atesta uma atividade ininterrupta de convivência académica desde 1974, agregando uma sucessão de gerações estudantis que frequentaram e continuam a frequentar este local. “O Moelas” é conhecido como “uma casa de culto dos estudantes” e foi mesmo reconhecido pelo Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra (UC) como “Tasca de Interesse Histórico”, o que justifica o seu significado para a história local. Na candidatura, foi também considerado o esforço do proprietário em preservar e conservar o seu património material, mantendo os traços arquitetónicos e decorativos do espaço e assegurando um acervo próprio de bebidas originais deste estabelecimento, já conhecidas entre as diferentes gerações de estudantes.

“O Moelas
A Taberna Toca do Gato existe, pelo menos, desde 17 de junho de 1930, data de um alvará com a autorização de venda de vinhos pelo estabelecimento. Próximo da Portagem, em plena Baixa, a entrada faz-se pela Rua dos Gatos (ou da Sota) e é precisamente uma escultura de um gato que tem à porta que lhe dá o nome. A candidatura confirma o histórico de atividade do estabelecimento no contexto académico e tradicional de Coimbra, com, presumivelmente, um século de atividade continuada, bem como uma atividade ininterrupta de restauração e convívio, destacando-se as referências de boémios da Academia dos inícios do século XX e figuras históricas dessa época. A candidatura atesta o esforço do proprietário na preservação e conservação do património material, tendo sempre mantido os traços arquitetónicos e decorativos iniciais, que lhe dão o ambiente de taberna tradicional.

Taberna Toca do Gato
A Associação República dos Galifões indica como data da sua fundação, na sua ficha de candidatura, o ano 1947, sendo apresentadas evidências que atestam que a república tem, pelo menos, mais de 25 anos de existência e que teve uma importante participação nas crises académicas dos anos 60. Na crise de 1962, Francisco Leal Paiva, repúblico dos Galifões, era presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra e acabou expulso de todas as escolas nacionais por um período de dois anos, devido à realização do I Encontro Nacional de Estudantes. Há ainda elementos, cartas e relatórios da PIDE, que atestam a prisão de Galifões nesses anos que vão de 62 a 69, existindo ainda, alusivo a este período, um mural pintado numa das paredes da casa que faz referência ao Dia do Estudante, comemorado em 1962. É, assim, atestada a sua longevidade e relevância histórica no contexto académico e tradicional de Coimbra, com mais de 70 décadas.

República dos Galifões
Cada uma das candidaturas foi avaliada pela autarquia e foram confirmados todos os critérios necessários à obtenção do reconhecimento. Com a conclusão destes processos, a Câmara Municipal já reconheceu cerca de 20 entidades de interesse histórico e cultural ou social local.