A imprensa vai dando notícias de uma época turbulenta. Sanidade e política ocupam os noticiários, a palavra “crise” volta em força. O corrupio dos dias sucede com o mesmo receio, essa cautela que nem todos têm, essa consciência que depende de todos para acalmar os números de uma peste que se prometeu longa.
É já expressão popular, vinda da sociedade de interesses, este remate comum de conversas, “É tudo uma questão de contas”. A verdade é que é uma conclusão mundana a tudo o que se passa no cotio contemporâneo. Os algarismos incrementam a cada estudo que se realiza, independentemente da ciência. Fruto dessas publicações escutamos e lemos notícias onde os números são a explicação e a conclusão de muitas matérias.
Além das estatísticas pandémicas dos últimos anos, os números aludem também a temas de concórdia. A paz é ainda um bem, longe de se alcançar para todo o globo, as perseguições e conflitos levam aos números desumanos de refugiados e migrantes. Noutras contas fala-se de corrupção, crimes ofuscados que se expressam sempre em milhões.
É a euros que se medem os interesses e os problemas do mundo. São disso exemplo os camiões carregados de madeira com que me cruzo diariamente, assistindo frustradamente a essa espécie de cortejo fúnebre da parte de um pulmão verde que se vai abatendo. A desflorestação de áreas protegidas, assim como de áreas de mata autóctone, continua a ser uma realidade. Infelizmente há exceções às leis que estão feitas para a destruição. Quanto aos problemas ambientais, muitos temas e números se podem expor. Pena que tais matérias apenas ganhem mais voz e destaque aquando de cimeiras e congressos, quando se trata de um desafio contínuo e urgente.
Na prática e na realidade os números do mundo continuam desequilibrados quando postos em balanças que dificilmente se encontram de pratos paralelos, onde há contrapesos de interesses e objetivos que são causas ao impedimento da sustentabilidade, na sua tríade completa, social, ambiental e económica.
E como se diz por aí, “Não esperes dias melhores…”. O mundo “nunca” será composto de um só, só assim alguns problemas globais se poderiam resolver. Está no censo comum e nas ideologias de cada indivíduo rumar à mesma meta com projetos e objetivos diversos.
Em breve se abrirão os almanaques de um novo ano, fazendo aos poucos o “juízo final” do que acabamos de viver. Há promessas que se repetem e planos que se renovam. Tal como cada um de nós os tem e os adia, que seja a hora de os concretizar, pois a vida é uma passagem incerta. Quanto ao resto, façam o que poderem pela humanidade, pelo chão comum mas, acima de tudo, “façam contas” ao que vos faz feliz, em especial àquilo que não tem preço.