21 de Outubro de 2021 | Coimbra
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CHUC: Equipamento inovador melhora qualidade dos órgãos para transplantação

28 de Agosto 2020

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) é o “número um a nível da doação de órgãos para transplantação no país”. Esta informação foi divulgada na terça feira, pela coordenadora nacional da Transplantação, Margarida Ivo da Silva, durante a apresentação do “VitaSmart”, o primeiro equipamento de perfusão hipotérmica de fígado e rim para transplante a estar disponível num Centro de Transplantação em Portugal.

O diretor clínico do CHUC, Nuno Devesa, sublinhou a importância deste novo equipamento, disponível desde 13 de agosto e já utilizado duas vezes com bons resultados, e que vem “melhorar as transplantações”, uma das “primeiras bandeiras deste hospital”.

De acordo com Margarida Ivo da Silva, o novo equipamento permite melhorar a qualidade dos enxertos, a função hepática pós-transplante, a sobrevivência de enxertos e recetores, a segurança em transplantação e, ainda, maximizar o aproveitamento de órgãos.

Traz também “ganhos significativos” para os doentes, como sublinhou Dulce Diogo. A coordenadora da Unidade de Transplantação Hepática dos CHUC recordou que “a escassez de órgãos para transplantação continua a ser uma preocupação”, tendo havido alterações significativas nesta área nos últimos 20 anos, sobretudo no que toca à média de idade dos dadores, que subiu de 32 para 60 anos entre 1997 e 2017. Segundo explicou, anteriormente a maioria dos órgãos eram de pessoas jovens, vítimas sobretudo de acidentes de viação, realidade que hoje é bastante diferente, sendo os dadores pessoas com mais idade e, na maioria, vítimas de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC).

A nova máquina permite, como referiu, “maximizar a utilização de órgãos para transplante, utilizar órgãos que habitualmente até podem ser recusados por serem de dadores marginais ou critérios expandidos, como é o caso de dadores idosos, de coração parado ou com muitas comorbilidades ou até com algumas alterações analíticas”. Entre outros benefícios, garante “reduções significativas nas taxas de complicações no pós-transplante, bem como melhor qualidade de vida ao doente”.

O “VitaSmart” vai assegurar, segundo José Guilherme Tralhão, diretor do Serviço de Cirurgia Geral, “o melhor aproveitamento dos órgãos”, através de “uma nova tecnologia que vai permitir que os órgãos tenham melhor qualidade e que vai garantir melhores resultados, diminuindo as complicações no pós-operatório”.

O equipamento funciona em regime de comodato e, no caso do fígado, custa cerca de 2.500 euros por utilização.

O CHUC lembra que os órgãos para transplante continuam a ser “um bem escasso, agravado pelo facto de nas últimas décadas se ter verificado uma redução de dadores ideais e um consequente aumento de excertos considerados de critérios expandidos ou de alto risco”.

Após a colheita, existe um período em que o órgão está privado de oxigénio, o que pode contribuir para o dano de funções intracelulares e ter consequências na função do órgão após o transplante. A perfusão hipotérmica contínua oxigenada do enxerto, após a colheita, durante um período de 120 minutos, permite melhorar a função dos órgãos, reduzindo complicações no pós-transplante imediato, nomeadamente a ‘primary non function’ que pode obrigar a retransplante nos primeiros sete dias. Permite, ainda, reduzir significativamente a taxa de complicações biliares que são, hoje em dia, uma das principais complicações tardias pós transplante hepático e que conduzem a um aumento da morbimortalidade dos recetores. O seu tratamento é difícil e com recurso a procedimentos invasivos, incluindo retransplante.

O CHUC é o primeiro centro transplantador de fígado em Portugal a utilizar esta técnica que pode ser aplicada a todos os fígados.

De acordo com os números divulgados, os transplantes registaram uma diminuição de 28 por cento em Portugal no primeiro semestre do ano devido à pandemia da Covid-19. Margarida Ivo da Silva assegurou, contudo, que estão a ser criadas agora condições para se retomar as doações sem restrições nos centros de transplantação do país.


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