6 de Maio de 2021 | Coimbra
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CEARTE: Artesanato é uma profissão “do passado que tem um futuro garantido”

24 de Janeiro 2020

O artesão, o oleiro, o alfaiate e o agricultor são algumas das profissões mais tradicionais no nosso país e que têm estado em decadência desde as últimas décadas. Em Coimbra, o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), que resulta de uma parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional e a Cáritas Diocesana de Coimbra, está a provar o contrário com a sua taxa de sucesso.

São 4.000 os artesãos reconhecidos em Portugal e formados pela instituição que já tem 15 produtos nacionais certificados. É de sublinhar que a maior parte dos formandos são, maioritariamente, pessoas que têm o ensino secundário ou até mesmo níveis de qualificação superior.

O aumento de técnicos nestas áreas está relacionado, segundo Luís Rocha, diretor do CEARTE, com o facto de estas serem “profissões aliciantes e atrativas” e “do passado” que “têm um futuro garantido”.

Estes ofícios, que aparentam estar em extinção, estão a ressurgir. De acordo com Luís Rocha, o artesanato, as matérias-primas locais, o “saber fazer tradicional” e aquilo que é ecológico e sustentável está na moda. Mas, para tal, têm de estar associadas a um design moderno, seguindo o estilo de vida das sociedades contemporâneas.

Perante este despertar da tradição, está em “falta uma imagem atual daquilo que é o artesanato português”. Esta arte é muitas vezes reflexo de más condições de trabalho, de pessoas idosas e de pouca escolaridade. Segundo o diretor, atualmente, o profissional do barro tem “uma oficina atrativa, uma roda de oleiro elétrica”. O facto de a sociedade ainda não ter conhecimento desta realidade, pode ser, segundo este responsável, “a razão da maior parte dos jovens ainda não ter sentido atratividade por estas profissões”.

Para além disso, a qualidade do artesanato nacional está a ser posta em causa. “Nós vemos muitas lojas de artesanato, por exemplo em Coimbra, que de artesanato têm muito pouco. Ou têm cortiça falsa ou algumas coisas até são importadas da China…”, acabando por denegrir a imagem do artesanato português, lamenta, assegurando que os alunos do CEARTE estão aptos a potenciá-lo de modo a não perder a sua identidade e a não enganar o comprador.

Esta arte manual pode ser o segredo para o aumento da população no Interior do país e um fator fundamental no que toca ao seu contributo para a coesão social e territorial. “Nós temos no país um Interior cada vez mais desertificado, mas onde as atividades artesanais têm uma expressão significativa”, por exemplo para uma aldeia pode significar “ter mais duas ou três pessoas a trabalhar”, “com rendimento” e que “se fixam”.

CEARTE reivindica mais apoios para o artesanato

No entanto, o país não disponibiliza apoios suficientes para que esta atividade tome as devidas proporções, pois, “apesar da panóplia de apoios enormes que existem para empresas, estes não estão ajustados, nem direcionados para estas «muito micro empresas»”, afirma. Posto isto, considera que estes apoios poderiam ser uma mais-valia na criação de indústrias, postos de trabalho, rendimentos e fixação das populações.

Para além do facto de a maior parte dos cursos e formações do CEARTE serem gratuitos, aquilo que diferencia o centro das outras instituições são as condições de formação (técnicas, equipamentos e materiais especializados); os formadores que para além de bons pedagogos terão de conhecer muito bem o mercado da sua área e, sobretudo, o modelo de ensino aplicado.

Uma boa equipa de formadores e o acompanhamento de uma psicóloga ajudam a garantir o sucesso dos formandos. “Nós temos muitos jovens que vêm para a nossa formação e que na escola não têm êxito e aqui completam o 12.º ano relativamente bem. Não é por ser mais fácil, é porque há uma ligação entre a formação teórica e a própria formação prática, uma ligação nas matérias, nos conteúdos e na diversificação”, justifica Luís Rocha.

Todavia, esta instituição não se assume como concorrente do ensino regular ou do superior mas sim como um complemento, pois “um curso superior tem uma vertente académica e uma vertente científica grande, mas não tem uma vertente prática”. O diretor frisa que “cada área tem a sua função e temos de ser complementares e não concorrentes”.

O CEARTE tem dois polos fixos, para além da sede em Coimbra, um no Mosteiro de Santa Maria de Semide, em Miranda do Corvo, com três grandes áreas de formação (hotelaria, área de formação agrícola e conservação e restauro de madeiras, escultura e talha); e outro em Alvaiázere. A formação profissional destina-se tanto a jovens como adultos.

Cursos variados para todas as idades

O CEARTE conta com uma oferta formativa muito diversificada, em várias zonas do país e em diferentes setores de atividade, como agricultura e jardinagem; têxteis; informática e audiovisuais; gestão e marketing; saúde, higiene e segurança; silvicultura e caça; artes cénicas; cerâmica; artes e ofícios têxteis; restauro e património; e restauração, hotelaria e turismo. A área da cerâmica e do têxtil são as que apresentam uma maior frequência, no entanto, o público jovem prefere cursos relacionados com multimédia.

O curso Artes Têxteis – Costura é uma das formações que está prestes a iniciar, numa parceria com a Associação de Artesãos de Pombal. Com uma duração de 50 horas, vai decorrer em Pombal, entre 5 e 29 de fevereiro, às segundas e quartas feiras, das 18h30 às 22h30, e aos sábados, das 9h00 às 13h00. Inscrições ou mais informações podem ser obtidas na página do CEARTE, em www.cearte.pt.


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