26 de Maio de 2022 | Coimbra
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Carlos Oliveira explica o cancro através de uma coleção de selos

13 de Maio 2022

O professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Carlos Freire de Oliveira, natural dos Açores (Ponta Delgada) e com fortes ligações a Coimbra, além da paixão pela medicina, na área da ginecologia e do cancro, tem também um gosto especial pela Filatelia. Hoje, aos 79 anos, tem três livros lançados sobre cancro, com recurso à sua coleção de centenas de milhares de selos

O professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Carlos Oliveira começou a juntar selos com apenas sete anos, em 1950, e passados 17 anos (1967) iniciou uma coleção temática sobre o “Cancro e Luta Anticancerosa”, já galardoada em exposições nacionais e internacionais.

“O meu tio era bancário e foi gerente do Banco Nacional Ultramarina, em Coimbra, e todo o correio que chegava, que vinha sobretudo de África, ele abria em casa e ia-me dando os envelopes e eu comecei a rasgar os selos, o que não se deve fazer, pois devemos colecionar com o envelope, mas foi aí que comecei a fazer a coleção clássica de selos, inicialmente de Portugal e Colónias”, conta o também doutorado em Medicina.

Como trabalhava na área da oncologia e não havia ninguém na altura a colecionar esse tema, foi das primeiras coleções da Europa. No entanto, devido à sua intensidade profissional acabou por suspender a coleção durante cerca de 40 anos.  “Quando me doutorei suspendi a Filatelia, mas ia continuando a guardar os selos, sem os ordenar e quando me reformei, em 2010, decidi voltar num patamar semiprofissional”, referiu, ao contar que esteve em França, onde integrou a Associação Francesa de Filatelia Temática, da qual ainda é sócio, e fui adquirindo selos durante toda a vida.

Carlos Freire de Oliveira mencionou ainda as subscrições na Filatelia dos CTT, mas em 2014 “suspendi, pois cheguei a uma altura em que já não sabia onde colocar os selos, pois todas as paredes do meu escritório têm estantes com as coleções de selos catalogadas, além de arcas com os selos rasgados que tirava das cartas”.

O conhecimento científico adquirido, aliado à interpretação da comunicação intrínseca à emissão de selos, permitiram-lhe escrever o seu primeiro livro temático sobre a doença oncológica, “O Cancro e a Filatelia – educação para a saúde através das mensagens transmitidas pelos selos e marcas postais”, editado em 2017.  Em 2018, lançou uma nova obra, “A Luta Contra o Cancro e as Organizações Internacionais e Nacionais”.

O seu envolvimento com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, da qual foi presidente, a sua participação ativa na Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra, e mais uma vez, graças ao conhecimento científico e colecionismo temático, proporcionaram as condições para o médico Carlos Oliveira escrever a terceira obra, “A Oncologia da Antiguidade ao Século XXI – Deuses, Médicos e Cientistas”.

A obra tem cerca de 200 páginas e 310 imagens de selos e outras peças filatélicas, representativos de mais de 170 personalidades, compreendido entre quatro capítulos. Das personalidades apresentadas, o autor destaca, entre muitas outras, Hipócrates, Avicena, Marie Currie, Havery.

“Julgo que com estas três publicações se consegue abordar a maior parte das mensagens transmitidas pela filatelia, relacionadas com o cancro”, sublinhou Carlos Oliveira.

Carlos Oliveira não seguiu medicina por acaso. A paixão por cuidar dos outros surgiu ainda em criança. “Fiz esta escolha em miúdo, pois gostava de tratar dos ferimentos dos meus amigos e tinha uma caixinha com os primeiros socorros, com pomada, pensos e fazia os curativos”, disse, de sorriso rasgado.

Da Filatelia ao Ski Náutico

Além da paixão pela medicina e pelo mundo da filatelia é também amante do desporto, tendo feito ski náutico até aos 70 anos. “Tenho um primo que gostava de barcos e de pescar e aprendi a fazer ski náutico na lagoa e pensava que para ter um barco tinha de ter uma profissão em que ganhasse dinheiro e foi aí que pensei em ser cirurgião na área da ginecologia e do cancro ginecológico e da mama e foi o que fiz”, conta o médico, referindo que acabou por vender o barco há dois anos, “pois já não tenho físico para praticar”.

Um pouco de Carlos Freire de Oliveira

Carlos Freire de Oliveira nasceu em 1943 em Ponta Delgada (Açores). Licenciou-se, em 1967, em Medicina na Universidade de Coimbra e colaborou na criação da Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra (AAC), sendo o sócio nº11.

Em 1969, iniciou uma carreira académica na Faculdade de Medicina da UC e uma carreira hospitalar no Serviço de Ginecologia dos Hospitais da UC. Desde o início que dedicou particular atenção ao cancro e foi Consultor do Centro de Coimbra do Instituto Português de Oncologia. No início dos anos 70, realizou um estágio no Instituto Gustave-Roussy, em Paris.

Doutorou-se em Medicina em 1975 e foi professor catedrático da Faculdade de Medicina de Coimbra, em 1990. Foi diretor do Serviço de Ginecologia dos Hospitais da UC, em 2000, e aposentou-se em 2010.

Foi também presidente do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro, entre 2010 e janeiro de 2019, e presidente nacional no triénio de 2010 a 2012, e da Sociedade Europeia de Ginecologia Oncológica (ESGO) e fundador e tesoureiro do Grupo Cooperativo de Cancro Ginecológico da Organização Europeia para a Investigação e Tratamento do Cancro (EORTC).

Carlos Oliveira foi ainda presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Sociedade Portuguesa de Senologia e da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, do Colégio da Especialidade de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem dos Médicos e do Colégio da Especialidade Obstetrícia Oncológica.

 


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