10 de Dezembro de 2025 | Coimbra
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Associação Verde Viver promove sustentabilidade no distrito de Coimbra

16 de Maio 2025

Há pouco mais de um ano que a Associação Verde Viver tem vindo a fazer a diferença no distrito de Coimbra. Com sede em Semide, no concelho de Miranda do Corvo, o projeto sensibiliza a população para a importância de cuidar da região e, consequentemente, do planeta. Nesse sentido, desenvolve várias ações que visam garantir um presente e um futuro melhor para todos.

Sob o mote “Consciente de ser para verde viver”, a associação nasceu pelas mãos de Júlia Santos, a atual presidente. Natural de Semide, já trabalha na área da sustentabilidade desde 2020, sendo que, recentemente, desafiou familiares e amigos a juntarem-se a si. “Achei que seria relevante existir um projeto que alertasse a nossa comunidade para esta temática”, conta, em declarações ao “O Despertar”.

A Associação Verde Viver é, assim, fundada no final de 2023. Numa fase inicial, foi composta por um pequeno grupo de voluntários, contudo, hoje conta já com 15 pessoas que, com o auxílio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, desenvolvem várias atividades na região.

 

“Temos muito a fazer”

Entre caminhadas que alertam para a necessidade de recolha do lixo, e oficinas que sensibilizam para a reutilização e reciclagem de materiais, são muitas as tarefas promovidas pela associação. Júlia Santos não descarta a possibilidade de, um dia, o projeto atuar a nível nacional, no entanto, de momento, “o nosso maior papel é comunitário e temos muito a fazer”.

A responsável não tem, por isso, dúvidas de que a Verde Viver surge numa altura em que era precisa no centro do país. “Temos de começar no nosso local, na nossa amplitude”, alerta. Isto porque, na sua perspetiva, as causas ambientas estão muito esquecidas. “As pessoas têm noção de que têm de fazer alguma coisa, mas não sabem por onde devem começar. Desta forma, é muito importante existir alguém que as consiga sensibilizar e mostrar que elas são capazes de fazer essa mudança”, acrescenta.

Uma mudança que pode começar em coisas simples como dar uma nova vida a items que, há muito, estão parados nas nossas casas. Para isso, ao longo dos meses, a associação agenda várias oficinas e workshops que ensinam, por exemplo, a fazer decorações com materiais provenientes da natureza, a usar papeis de jornais para embrulhar presentes de natal ou a doar roupa que já não é usada.

A propósito deste último caso, o projeto realizou, no dia 5 de abril, um “mercado de trocas”, que permitiu às pessoas substituir coisas que já não tinham utilidade por outras semelhantes. Houve, inclusive, quem trocasse uma peça de roupa por outra e/ou determinados livros por outras obras literárias. “Deste modo, estamos a permitir que exista um ciclo de produtos e que estes não fiquem estagnados”, afirma Júlia Santos.

Para além deste género de atividades, a Verde Viver também se desloca às escolas para consciencializar as crianças para a importância de cuidar do meio ambiente. “Esse é o nosso primordial objetivo: chegar à comunidade através dos estudantes e do corpo docente”, admite a presidente.

 

Educar é o ponto de partida

Garantindo que educar é o ponto de partida para um amanhã melhor, a Associação Verde Viver tem focado o seu trabalho nas escolas. Sobretudo, depois de Júlia Santos se aperceber que as questões relacionadas com a sustentabilidade são abordadas de uma forma superficial pelo ensino português. “Fala-se sobre reciclagem, por exemplo, mas não se explica que, antes de reciclar, temos de tentar diminuir ao máximo aquilo que produzimos. Ou seja, não se apresentam opções reutilizáveis e não se fala muito sobre como é que podemos ter esse impacto no ambiente”, expõe.

Apesar de acreditar que, nos últimos anos, a sociedade ganhou mais consciência em termos de sustentabilidade, a responsável revela sentir que “cada vez mais, os jovens e as crianças são levados para uma necessidade de consumismo atroz. É muito fácil comprar, ter algo novo e, isso, entra em dicotomia com a questão da sustentabilidade”.

Assim, a presidente da Verde Viver sugere que a mudança deve começar na casa de cada um. Gestos simples podem fazer toda a diferença e contribuir para um mundo mais saudável. “Nas nossas refeições podemos, facilmente, substituir guardanapos descartáveis por guardanapos de pano; podemos ainda deixar de usar copos descartáveis; na lavagem de roupa, substituir o amaciador por produtos mais sustentáveis, aliás, em Coimbra temos várias lojas que oferecem produtos a granel que podemos adquirir”, explícita Júlia Santos.

A adoção de novas práticas pode ser crucial não só para o bem-estar do planeta, mas para a própria saúde de quem as adota. “Eu posso falar pela minha experiência: passei a usar produtos menstruais reutilizáveis e isso teve um impacto imediato na minha saúde. Deixei de ter alergias”, confessa. Salienta, portanto, que “a sustentabilidade tem influência no nosso bem-estar imediato. A longo prazo, vamos reduzir imenso a produção de lixo e de desperdício”.

 

Região já não dispensa projeto

Desde a sua génese, a Associação Verde Viver tem sido bem recebida pela população do distrito de Coimbra. “As pessoas quase que nos requerem as atividades”, revela Júlia Santos com um sorriso, realçando ainda que “os órgãos autárquicos e as escolas até têm vindo dialogar connosco para perceber o que é que nós podemos fazer em conjunto com eles”.

Por sua vez, em relação à adesão às atividades, a primeira caminhada da Verde Viver, realizada no ano passado, teve “cerca de 40 pessoas a fazer a recolha do lixo”, avança a presidente. Segundo a mesma, “para uma freguesia como Semide, este número já tem alguma amplitude e sinto que, quando as pessoas conhecem e tentam perceber qual é o nosso objetivo, aderem facilmente”.

Em termos de público, a responsável reconhece que são os jovens quem mais participa nas iniciativas. “As pessoas mais velhas estranham um pouco esta questão de usar produtos reutilizáveis, porque, é óbvio, que dá mais trabalho”, refere.

Em termos futuros, a Associação Verde Viver promete continuar a desenvolver oficinas e sessões relacionadas com o tema da sustentabilidade. Entre as ideias que começam a surgir estão “workshops de cosmética, ensinar as pessoas a fazer o seu próprio sabão e a reutilizar aquilo que têm em casa para fazer o seu detergente ecológico”. A estas, juntam-se ainda “uma ação de sensibilização sobre consumismo, produção fashion em massa e um mercado de trocas nas escolas para sensibilizar a comunidade escolar para a importância de não comprar novo”.

Não obstante, o projeto criou ainda uma espécie de “Biblioteca de Ferramentas”, onde as pessoas podem requisitar e utilizar as ferramentas disponibilizadas pela associação, tornando dispensável a compra. “Assim, permitimos que os produtos circulem: é o que mais queremos”, conclui Júlia Santos.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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