Natural de Coimbra, Margarida Costa é uma verdadeira apaixonada por desenho. O gosto surgiu ainda em criança e foi transportado para a vida adulta. Licenciou-se em Design de Comunicação, onde aperfeiçoou a sua técnica e, anos mais tarde, decidiu mostrar o seu talento nas redes sociais. Atualmente, a artista conta já com mais de 17 mil pessoas que acompanham o seu trabalho e não pretende ficar por aqui. Afinal, para si, esta é uma arte muito especial e merece chegar ao maior número de pessoas possível.
“Há muita gente que diz que eu consigo, através dos olhos das pessoas, captar a sua essência. É como se cada desenho falasse connosco”, conta Margarida Costa, em declarações ao “O Despertar”. Defendendo que “o desenho é a base de tudo”, a conimbricense já o utilizou nas mais diversas vertentes, nomeadamente, ilustrações digitais e web design. Contudo, embora tenha trabalhado nessa área, confessa que não é o que mais gosta de fazer.
“Eu gosto mesmo é de sujar as mãos com carvão; olhar para a minha referência e desenhá-la”, admite, acrescentando que “eu gosto de ver o traço ganhar vida e expressão”. Nesse sentido, o que mais a atrai é o retrato. É recorrendo a essa técnica que eterniza rostos. “Adoro desenhar pessoas e, sobretudo, rugas. Quanto mais velhas forem, melhor. Além disso, também gosto de desenhar mãos”, sublinha. Na opinião de Margarida Costa, estas características são ímpares, porque representam a história de cada um.
“Cada ser é único e poder retratá-lo, para mim, é um privilégio. No caso de pessoas que já partiram, muita gente me diz que, aquela homenagem, acaba por lhes trazer um bocadinho de luz, por amenizar a dor e a saudade”, salienta.
De Coimbra para o mundo
Há já alguns anos que Margarida Costa passa para o papel a natureza das pessoas, mas não só. Pelas mãos, também já lhe passaram diversos retratos de animais. Quando percebeu que o seu trabalho tinha tudo para dar frutos, decidiu criar uma página de Facebook e de Instagram para alcançar mais público. Chama-se “Maggie’s Drawings” e, atualmente, tem mais de 17 mil seguidores e faz encomendas para todo mundo.
“Já desenhei para pessoas dos Estados Unidos da América, França e Luxemburgo, por exemplo. O meu público é, sobretudo, português e, vivendo noutros países, não deixam de encomendar”, recorda. De momento, o trabalho da artista só funciona por encomenda, já que esta não tem um espaço físico aberto ao público. Para além disso, este é um projeto que concilia com a profissão que desempenha no Departamento Financeiro dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Com o seu tempo limitado, Margarida Costa desenha cerca de duas horas por dia e adianta que uma encomenda demora, por norma, “uma ou duas semanas” a estar concluída. Todavia, o tempo varia consoante o desenho pretendido. Assim, sempre que um futuro cliente entra em contacto com a artista, deve enviar-lhe a fotografia que quer ver retratada e, posteriormente, é só pôr mãos-à-obra.
“É uma terapia”
É no aconchego do seu lar que Margarida Costa tem um atelier pessoal onde se perde durante horas. Para si, desenhar “é uma terapia” e, por isso, não podia estar mais satisfeita com o rumo que o “Maggie’s Drawings” tem levado. Desde a sua génese, a conimbricense tem partilhado diversos retratos de personalidades portuguesas que tem desenhado, o que ajuda a chegar a ainda mais pessoas.
“Se a minha página se basear apenas em encomendas e retratos que ninguém conhece, não se consegue perceber se o desenho está bem elaborado ou não, porque não há um ponto de referência”, explica. Deste modo, já desenhou vários rostos públicos, entre eles, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Ruy de Carvalho e Bento Rodrigues. No entanto, foi José Saramago um dos retratos que mais gostou de fazer, tendo em conta que é assumidamente fã do seu trabalho.
Fora do universo público, desenhar a própria avó foi o trabalho que mais a marcou até ao momento, afinal, esta é a sua grande referência na vida. “Desenhá-la foi um misto de emoções. À medida que o desenho ia ganhando vida e que o olhar dela se ia construindo eu não conseguia parar de chorar”, lembra. As lágrimas foram tantas que borrataram o desenho ao ponto de Margarida Costa ter de ganhar coragem para o recomeçar, agora, com uma técnica ainda mais aperfeiçoada.
Exposições em Coimbra
Depois de ter conquistado as redes sociais, o futuro da “Maggie’s Drawings” passa, agora, por captar espaços. O próximo ano promete, assim, ser de sucesso, já que a artista tem agendadas várias exposições na região de Coimbra. “Quero mostrar as personalidades que desenhei, de todas as áreas, e levá-las a essas exposições”, realça.
De acordo com Margarida Costa, os primeiros seis meses do ano já estão “cheios com exposições mensais”, sendo que a outra metade de 2025 ainda tem agenda aberta, mas “espero que não por muito tempo”, afirma. Com o olhar no amanhã, a conimbricense ambiciona levar também os seus trabalhos para fora da cidade que a viu nascer. “Quero ainda tentar fazer outras exposições de norte a sul do país”, conclui.