Este pintor recria toda uma natureza na elegância das formas, na delícia do convívio com os seus quadros, que representam, mentalmente, as mil personagens do seu mundo onírico e a satisfação específica que se dilui em formas subtis e no dinamismo dos conteúdos.
Pintura que procura sempre as faculdades superiores há muito que se distinguiu no desenvolvimento das atividades espirituais, que estão nas curvas, no singular desenho, na vida consciente e no saboroso instinto de criador, da energia que é, em parte, a consciência biológica dum artista admirável que transfigura velhos conceitos em novos conceitos, na relação lógica e nas metamorfoses, de exposição para exposição com novas filosofias estéticas nunca abandonando o seu estilo, a sua sensibilidade, a inteligência do ser, o círculo de compreensão, que lhe permite as perfeitas composições de movimentos internos dos quadros, o clímax elevado, na forma clássica, sobretudo no retrato, numa rara omnimoda na aplicação das tintas, do lápis, no desenho invulgar que é aferição da beleza que seduz, do que prende.
Luís Pimentel é dos maiores pintores de Coimbra, único no retrato, distinguido pela crítica por onde passa com a sua obra.
Considera a pintura como um credo ou a ciência da natureza, partindo da fé e das causas, como concebe o quadro, tantas vezes olhando para a tela branca, começando a pintar, num ato inteiramente intuitivo, depois acorda e na experimentação nasce a sua “verdade” em obras magníficas.
Foi há anos a maior exposição no Salão Chiado numa mensagem universal da arte de Coimbra na minúcia da forma e do conteúdo.
Sem os excessos dos realistas ou da estética dos parnassianos, mas, isso sim o subjetivismo temático que iguala os grandes pintores ibéricos e nomes conceituados da cidade do Mondego, José Berardo, Susana Harrison e outros, numa galeria de notáveis.
A pintura deste magnífico artista tem todas as condições de leitura universal, pois possui uma gramática larga, escorreita, com a combinação das leis, teorizando para constituir em definitivo o quadro, entre a sensibilidade e a inteligência, numa melodia articulada, onde o verbo, a música se dilui para ficar as tintas, as cores, os desenhos, a prodigiosa visão estética dum artista que muito honra a sua terra!