18 de Setembro de 2026 | Coimbra
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Coimbra recebeu mais de 250 passeios da “Pedalar Sem Idade” no último ano

18 de Setembro 2026

 SOCIEDADE / No seu segundo ano de atividade em Coimbra, o “Pedalar Sem Idade” realizou mais de 250 passeios, o que permitiu chegar a 560 beneficiários. Os números refletem um aumento significativo face ao primeiro ano na região, altura em que se registaram 157 passeios que envolveram 128 passageiros.

Os dados não deixam margem para dúvidas: o projeto “Pedalar Sem Idade” tem vindo a crescer junto da comunidade conimbricense. Só no último ano, a iniciativa realizou 272 passeios junto de 560 beneficiários. Todos estes momentos de descontração são desenvolvidos ao ar livre em triciclos adaptados (trishaws), conduzidos por voluntários com formação para o efeito. O objetivo passa por combater o isolamento social e a solidão junto da população sénior e/ou de pessoas com mobilidade reduzida. Em apenas dois anos de atividade na cidade, o propósito já está a ser cumprido.

“O aumento verificado no último ano foi bastante significativo”, adianta Inês Pestana, Diretora de Operações da “Pedalar Sem Idade Portugal”, em declarações ao “O Despertar”. No seu primeiro ano na região, entre julho de 2024 e julho de 2025, a iniciativa apenas tinha chegado a 128 pessoas, levando a cabo 157 passeios. Ou seja, os números mais do que duplicaram. Uma realidade que, de acordo com a responsável, se deve ao facto de “termos conseguido expandir a nossa operação, dando-nos a conhecer a novas instituições e passageiros”.

A par disso, está ainda o “esforço da equipa local em Coimbra, bem como a motivação e a disponibilidade dos voluntários”, menciona. Isto porque todos os triciclos adaptados são conduzidos, durante 45 a 60 minutos, por pessoas devidamente formadas para o efeito. “Nós somos uma associação 100% à base do voluntariado, por isso, sem os voluntários não conseguíamos dar resposta aos pedidos”, reitera ainda.

As parcerias com várias entidades locais e com o próprio município de Coimbra também têm possibilitado alargar a iniciativa, chegando a novas pessoas. “Cada vez mais temos a parte governamental e parceiros de empresas, – tal como a sociedade civil -, a mostrarem-se atentos à problemática do isolamento social. Tem sido um percurso interessante de ver”, sublinha Inês Pestana.

 

Iniciativa devolve “direito ao vento nos cabelos”

Recordando que Portugal é o quarto país mais envelhecido do mundo, a responsável alerta para o impacto de projetos como o “Pedalar Sem Idade” no combate ao isolamento e solidão. A iniciativa distingue-se por tirar os idosos e/ou pessoas com mobilidade reduzida de casa, levando-os à redescoberta da cidade e consequente inclusão na comunidade. “Há ainda a possibilidade das pessoas estabelecerem novas relações, muitas vezes, com pessoas mais novas”, explica a Diretora de Operações.

A troca de experiências de vida estende-se, assim, aos voluntários. Só no último ano, na cidade, o “Pedalar Sem Idade” formou 34, sendo que 14 encontram-se ativos e 4 são voluntários formadores. “Continuamos a receber bastantes inscrições que mostram intenção. Conseguimos perceber que há muita gente, em Coimbra, interessada em contribuir para esta missão”, admite Inês Pestana. No entanto, nem todos os candidatos têm compatibilidade horária com a atividade, o que leva a que o número de voluntários ativos rapidamente diminua face ao número de inscrições.

“Apelamos sempre às pessoas que tenham disponibilidade durante o horário laboral, porque é aí que se concentram a maioria dos nossos passeios. Alguns são realizados ao fim-de-semana e com passageiros particulares também podemos desenvolver a atividade no pós-laboral”, refere. Contudo, o que é mais importante para o projeto é que “as pessoas se envolvam nesta missão. Se não puderem pedalar, nós arranjamos outra coisa que possam fazer”, assegura.

 

Voluntários também sentem impacto

Sem que nada o fizesse prever, as mais-valias do “Pedalar Sem Idade” também se têm alargado aos voluntários. Muitos deles são jovens e sentem-se sós, por isso, participar na iniciativa ajuda-os a sentirem-se úteis e valorizados. “Ouvimos alguns dos nossos voluntários dizer que, se não fosse o projeto, estariam muito mais excluídos e sem qualquer atividade durante o dia-a-dia”, confessa Inês Pestana.

Não obstante, há ainda os voluntários que, sendo pessoas já reformadas, encontraram nesta atividade “outro propósito e utilidade”. A estes juntam-se os voluntários que são estrangeiros ou imigrantes e que “encontram no nosso voluntariado uma forma de se integrarem na comunidade e, muitas vezes, de aprender a falar português”, revela.

O certo é que, quer para voluntários quer para passageiros, há uma palavra que é comum a todos quando se referem ao projeto: liberdade. “Estas pessoas nunca pensaram, aos 80 ou 90 anos, andar de bicicleta pela primeira vez. Dizem-nos contantemente que querem repetir”, orgulha-se a responsável. De acordo com a Diretora de Operação, na maior parte das vezes “tudo aquilo que as pessoas mais querem é apenas ir ao café onde iam quando eram mais novas (…) no fundo, voltar a passar pelos sítios onde cresceram; ver a cidade de uma nova perspetiva e com outro movimento”, salienta.

Desta forma, o “Pedalar Sem Idade” permite que estas pessoas voltem a aproximar-se da comunidade. “É esse o nosso principal objetivo: eliminar a exclusão social e promover relações significativas”, afirma Inês Pestana, destacando a necessidade de “um envelhecimento ativo com qualidade de vida, de forma a que as pessoas se sintam vistas”.

Atualmente, para além de Coimbra, o “Pedalar Sem Idade” está presente em mais 11 localidades: Almada, Castelo Branco, Castro Verde, Cascais, Guimarães, Lisboa, Mafra, Sintra, Torres Vedras, Vila Franca de Xira e Vila Real de Santo António. Sem poder ainda revelar muito, Inês Pestana adianta que, em breve, “vamos abrir noutras regiões”, prometendo aumentar ainda mais os números registados até ao momento.

A nível nacional, no ano passado, foram realizados mais de 4 mil passeios, junto de mais de 3 mil pessoas, sendo que estavam ativos mais de 400 voluntários. “Neste momento, já temos 26 bicicletas e mais de 150 parceiros, entre lares, centros de dia, associações que trabalham com deficiência, mobilidade reduzida, cuidados paliativos, entre outros”, frisa a responsável.

A tendência de crescimento tem sido, assim, transversal a todas as cidades onde o projeto tem estado a atuar o que, na opinião de Inês Pestana, “é uma prova, não só da notoriedade que estamos a ganhar enquanto associação de referência a nível nacional, como do envolvimento da população e da comunidade que, cada vez mais, acredita nesta missão e está atenta, consciente e a reconhecer a problemática do isolamento social”, enfatiza.

Posto isto, o futuro do “Pedalar Sem Idade” passa por continuar a evoluir. “O nosso propósito é sempre crescer de forma sustentável, termos capacidade de resposta e trabalhar os nossos recursos. Para além do crescimento em termos de números, queremos também promover uma maior regularidade de passeios para os passageiros para que isso se reflita num maior impacto na vida de cada um”, conclui.

 

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 18/09/2026]

 


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