São os valores que servem de guia ao nosso comportamento cultural e social: têm uma dimensão normativa. De um modo geral, os valores são considerados como qualidades que os indivíduos humanos reconhecem como propriedades ideais. A discussão filosófica quanto à natureza dos valores centra-se nos aspetos subjetivo ou objetivo dos valores: são os valores dependentes de apreciações pessoais e interesses individuais ou os valores são qualidades que existem realmente no que é avaliado: objetos, pessoas, ações, acontecimentos, paisagens, etc.? Para o objetivismo, os valores existem como entidades independentes das coisas e das valorações que os humanos fazem das coisas; são como essências ideais que existem em si e por si, como os números ou objetos matemáticos, impondo-se-nos independentemente de qualquer apreciação individual. As coisas são valiosas em si mesmas. Para o subjetivismo, e pelo contrário, os valores são criações humanas e não existem valores absolutos e imutáveis; os valores dependem do ato de valoração efetuado pelos diferentes sujeitos e de acordo com os seus gostos, interesses, preferências e emoções pessoais. Numa terceira posição intermédia, defende-se que, por um lado, os valores são objetivos, pois pressupõem a existência de qualidades objetivas nas coisas ou bens avaliados; serão essas qualidades potenciais que tornam as coisas valiosas. Por outro lado, os valores são subjetivos porque é o ser humano que avalia, captando aquelas qualidades: sem a avaliação do ser humano não existem valores.
O grau de subjetividade ou de objetividade dos valores pode também variar de acordo com a hierarquização ou o grau de importância dos valores: esta é uma quarta posição filosófica acerca da natureza dos valores. Existirão, por conseguinte, uns valores que são objetivos e outros valores serão subjetivos.
Assim, os valores materiais, que se referem ao agrado ou desagrado, têm certamente uma dimensão mais subjetiva. Mas valores superiores, como os valores éticos, ultrapassam o plano da subjetividade. A honestidade, a bondade e a justiça, por exemplo, apresentam-se como valores objetivos, independentes dos gostos individuais, defendem os autores desta quarta posição filosófica. Eles possuem uma força impositiva que nos obriga a reconhecê-los, preferi-los e estimá-los mesmo contra os nossos desejos, emoções ou interesses pessoais. Há também valores universais e absolutos, inegáveis e inestimáveis, como a igualdade, liberdade, solidariedade, a paz ou o valor inigualável da dignidade humana.
Estas são as posições diferentes acerca dos valores e que refletem a preocupação dos humanos em valorarem tudo o que os rodeia (cada coisa tem o seu valor). Assim, é através dos valores que o ser humano realiza e completa a sua humanidade, sendo que a ausência de valores conduzirá à decadência humana. É o comportamento motivado por valores que nos distingue dos outros animais e explicita a nossa racionalidade. Os valores são também úteis, pois são eles que conferem significado às coisas que nos rodeiam, tornando umas mais estimáveis do que outras pelo seu valor económico, sentimental ou estético, por exemplo. Para o ser humano, tudo o que existe tem um nome, que revela a sua forma de ser, e expressa um valor.