Neste momento da minha vida,
A noite entristece-me, não sei porquê;
A noite agora, para mim, é negra, atroz,
Sem estrelas no céu para desabafar.
Falo sozinho, mal posso dormir com a minha voz,
As memórias flúem e quebram-me o sono.
Das coisas boas e más, sobrepõem-se as más,
O desassossego por não encontrar o bem.
Vejo o mundo sobre mim desabar,
Estremunhado ponho – me a caminhar,
Cansado, sento-me numa pedra para serenar o olhar,
O céu agora já pleno de estrelas,
Falo com elas, conto-lhes tudo,
E assim se vai a noite…
Até o Sol romper para além do além,
Levanto-me, vejo que passa mais uma noite,
Vem aí um novo dia para viver,
E esperar outra noite para recordar e sofrer.
Já de madrugada ouço os passarinhos,
Por vezes, adormeço.