29 de Maio de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Noite

29 de Maio 2026

Neste momento da minha vida,

A noite entristece-me, não sei porquê;

A noite agora, para mim, é negra, atroz,

Sem estrelas no céu para desabafar.

Falo sozinho, mal posso dormir com a minha voz,

As memórias flúem e quebram-me o sono.

Das coisas boas e más, sobrepõem-se as más,

O desassossego por não encontrar o bem.

Vejo o mundo sobre mim desabar,

Estremunhado ponho – me a caminhar,

Cansado, sento-me numa pedra para serenar o olhar,

O céu agora já pleno de estrelas,

Falo com elas, conto-lhes tudo,

E assim se vai a noite…

Até o Sol romper para além do além,

Levanto-me, vejo que passa mais uma noite,

Vem aí um novo dia para viver,

E esperar outra noite para recordar e sofrer.

Já de madrugada ouço os passarinhos,

Por vezes, adormeço.


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