8 de Maio de 2026 | Coimbra
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Café Santa Cruz celebra 103.º aniversário com iniciativas abertas à comunidade

8 de Maio 2026

O Café Santa Cruz, em Coimbra, celebra, hoje (8), o seu 103.º aniversário. Para assinalar a data, o espaço centenário vai realizar, ao longo do dia, uma série de iniciativas abertas a toda a comunidade.

Foi pensado no final da I Guerra Mundial, sobreviveu ao Estado Novo, resistiu à II Guerra Mundial e aos vários conflitos sociais e económicos ocorridos nas décadas seguintes. Situado em pleno coração de Coimbra, o Café Santa Cruz enfrentou vários desafios ao longo dos anos, mas nunca viu a sua atividade ser interrompida. Hoje (8), celebra o seu 103.º aniversário com um conjunto de iniciativas que promovem e divulgam o património material e imaterial dos Cafés Históricos em Portugal.

“Estes 103 anos representam muita responsabilidade por gerirmos um espaço com esta longevidade comercial, e que nunca fechou ao público”, sublinha Vítor Marques, proprietário do Café Santa Cruz, em declarações ao “O Despertar”. A funcionar nas instalações da antiga Igreja de São João de Santa Cruz, – que pertencia ao Mosteiro de Santa Cruz -, o espaço assume a “responsabilidade deste legado histórico que faz parte da cidade de Coimbra e que nós temos que, acima de tudo, cuidar, preservar, manter, promover e dar a conhecer”, acrescenta.

 

Cafés Históricos de Portugal vão reunir-se

A filosofia do Café Santa Cruz passa pela preservação de hábitos como folhear um jornal, ler um livro e conversar. Assim, não vão faltar momentos desses nas iniciativas que vão decorrer ao longo do dia. Em primeiro lugar, é retomada a parceria com os CTT com a edição de um novo postal inteiro, acompanhado de um novo carimbo, que assinala os 103 anos do espaço.

Num segundo momento, será inaugurada a exposição da 2.ª série de cinco quadros d’A Brasileira do Chiado, uma itinerância que teve início no passado dia 14 de abril, o Dia Nacional do Café Histórico, com a apresentação dos primeiros cinco quadros. A exposição tem lugar no antigo Altar Mor da Igreja de S. João de Santa Cruz.

“Este é um verdadeiro exemplo daquilo que pode ser um trabalho em cooperação e em parceria entre os cafés históricos”, salienta Vítor Marques. No âmbito desta exposição, foi também produzido um livro que contextualiza todo o projeto, reunindo textos, imagens e contributos dos vários intervenientes.

 

No terceiro momento do programa, será realizada uma conversa entre Cafés, que contará com a participação de representantes de alguns dos Cafés Históricos de Portugal, nomeadamente: o Café Ceuta (Porto), o Peter Café Sport (Horta – Ilha do Faial) e o Café Calcinha (Loulé). Um momento que promete abordar a história de cada um deles enquanto locais de encontro de gerações, memórias e vivências. “Acima de tudo, falamos da história que os cafés têm nas suas cidades. Estes espaços fazem parte da identidade das suas próprias localidades”, reitera ainda.

Como já é tradição, a programação encerra às 18h00 com um espetáculo de Fado de Coimbra.

 

“O segredo são sempre as pessoas”

103 anos depois, o Café Santa Cruz permanece vivo. O proprietário não tem dúvidas de que o segredo deste percurso duradouro são as pessoas. “As [pessoas] que tiveram a ideia de transformar aquele espaço, – que era uma loja de materiais de construção -, num café; os proprietários, os gerentes, os funcionários, os fornecedores, mas, acima de tudo, os clientes”, enumera.

De acordo com Vítor Marques, este espaço emblemático “foi um café aberto à cidade e às pessoas, independentemente da sua nacionalidade. O segredo são sempre as pessoas e a forma como as recebemos”, afirma. Um carinho que recebeu retorno, já que, na sua perspetiva, a cidade tem reconhecido o valor do Café Santa Cruz. “Temos muitas pessoas de Coimbra que vão ao café, que fazem lá a apresentação dos seus livros e a exposição das suas obras. Isso deixa-me particularmente satisfeito”, confessa.

E porque “um café com história é um café com memória”, o Santa Cruz assume-se como um elemento relevante da identidade de Coimbra, mas não só. “É um símbolo da história de Portugal e disso eu não tenho dúvidas absolutamente nenhumas”, frisa o proprietário, garantindo que “eu gostaria que, quando falassem neste tipo de cafés mais clássicos, o Café Santa Cruz fosse a referência em Portugal”, conclui.

 

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 8/05/2026]


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