Escreveu, a propósito, um certo padre Ricardo Esteves, assim identificado, que “quando um filho desrespeita uma mulher, seja ela a mãe, a namorada, esposa ou qualquer outra, isso não é…temperamento forte. Isso é sinal de que alguém precisa de intervir urgentemente e, porquê? Porque um menino que cresce a acreditar que pode magoar mulheres sem consequência torna-se um homem perigoso, permite apenas que um monstro cresça”.
De facto, respigando ao acaso e sinteticamente, citemos: – Em Vagos, um jovem de 14 anos, com requintes de malvadez, disparou um tiro contra a mãe, e apesar de ela ainda tentar acalmá-lo, mesmo assim ele ainda disparou mais dois tiros e matou-a. Para cúmulo daquele crime hediondo, no julgamento ainda declarou não estar arrependido.
Outro jovem, adotado por uma médica de 58 anos de idade, residente em Coimbra, que o tinha encontrado abandonado na rua, educou-o e quando, aos 24 anos de idade, já estudante universitário, alegando que os conflitos com ela já se arrastavam desde a adolescência, resolveu assassiná-la. Foi condenado a apenas 17 anos de cadeia. “Diz o ditado, e é bem certo, às vezes vale mais só que mal-, acompanhado”.
Um outro assassinato macabro ocorreu no Algarve, em março de 2000, em que duas raparigas, uma de 24/25 anos, segurança, e a outra de 23/24 anos, enfermeira, ditas namoradas, sendo dinheiro o móbil do crime, resolveram decepá-lo, separando-lhe do corpo a cabeça e os braços, estado em que mais tarde veio a ser encontrado.
Em 03 de Maio de 2007, a Maddie, de 3 anos de idade, filha de um casal médico inglês, que se encontrava a passar férias num apartotel no Algarve, antes de eles saírem, após o jantar para tomar uma bebida e conversar, acomodaram a filha e o irmão nas suas caminhas e saíram, tendo-se demorado algum tempo. Entretanto, a malograda filha terá sido raptada e, apesar de se focarem no presumível autor e de a P. J. nacional, inglesa e alemã terem esgotado todas as hipóteses possíveis de prova e explorado os mais recônditos lugares e eventuais trajetos por onde o suposto infanticida terá cirandado, até este momento não conseguiram decifrar quem foi, de facto, o autor e qual o destino dado ao corpo da criança; etc., etc.
E, como diz o provérbio indiano: “dentro de nós existem dois lobos, um bom e outro mau. Qual vence, pergunta a criança ao avô? Este responde: aquele que tu alimentares”. Hoje temos a perceção de que o que alimentamos é o mau, a violência, a agressão, a fúria. A intolerância instalou-se na atitude das pessoas, na ação, na forma como agem com o outro…!
Estudos indicam que estes fenómenos não têm uma causa única, mas resulta da combinação de fatores neurobiológicos, psicossociais e ambientais exacerbados pelo contexto moderno, cujas explicações científicas serão casos de neurobiologia do cérebro adolescente, impacto de traumas e stress na infância, cultura de violência e ambiente digital, fatores sociais e culturais de grupo, efeito do álcool e drogas, etc.
Os amplos estudos científicos desenvolvidos sobre a etiologia do crime com certeza que estão a ser desenvolvidos incansavelmente no sentido de identificarem e diagnosticarem o antídoto do microrganismo infecioso gerador desses fenómenos, para lhe ministrarem a terapêutica recomendada, para bem de toda a humanidade.
(Cfr. redes sociais várias)