Segundo alguns psicólogos, as atitudes e comportamentos humanos são marcados por componentes cognitivas, afetivas e conativas e delimitados pelas representações sociais, que nas diferentes comunidades se instituem e que surgem distintas em diversos momentos históricos, influenciando, em grande medida, os comportamentos sociais e individuais, porquanto aquelas são um guia dos comportamentos tendo uma função normativa e também de justificação, pois permitem aos indivíduos explicarem e justificarem os seus atos. A Psicologia explica alguns dos fatores que determinam os comportamentos conformistas e obedientes assim como os comportamentos agressivos, conflituosos e discriminatórios, baseados estes, quase sempre, em preconceitos e estereótipos. O pensamento, a imaginação, o desejo, as necessidades e interesses pessoais e coletivos, as motivações, influenciam os díspares comportamentos, de acordo com aquela ciência. Não se esclarece, no entanto, qual o papel mais determinante nestes comportamentos: se o meio cultural em que somos educados e em que se processa a socialização dos indivíduos, se a genética, mantendo-se este um problema polémico entre os vários autores.
Parece-nos provável que a estrutura genética dos sujeitos será a mais determinante e em função da qual cada indivíduo desenvolve processos singulares de interiorização e acomodação dos estímulos do meio e da educação que recebe. Pode-se defender que há tendências comportamentais inatas que determinam em maior grau as atitudes e comportamentos individuais. Comportamentos marginais e desviantes são muitas vezes perpetrados por indivíduos que receberam uma boa educação de cidadania e segundo excelsos valores da cultura ou grupo social a que pertencem. No entanto, essa educação não impede que cometam crimes. É a sua índole que é disposta geneticamente e faz com que muitos canalhas integrem boas famílias, de sólidos e superiores valores. Nestes casos, a educação não anula nem supera a predisposição genética dos indivíduos. Pelo contrário, pessoas que integram famílias desestruturadas e problemáticas, sem uma educação baseada em bons valores e sólidos princípios, são resilientes e tornam-se boas pessoas e bons cidadãos, de consolidada consciência moral e defensores do bem, da solidariedade e da justiça.
Contudo e após isto, apesar da diversidade de ciências que estudam o Homem, não existe ainda hoje uma ideia absolutamente definida e clara acerca do Homem que tenha unidade e seja unânime. Segundo Max Scheler, as ciências humanas, aprofundando os conhecimentos sobre o Homem e o comportamento humano, “mais contribuem para ocultar a sua essência do que para a esclarecer”. Nesse sentido, pode-se defender que “em nenhuma época da História o Homem foi tanto um problema para si mesmo como atualmente”.
Permanece em aberto uma explicação objetiva e una sobre o comportamento humano, apesar dos contributos da Psicologia e demais ciências humanas e sociais, pois a complexidade e mútua interferência dos fatores que explicam e justificam esse comportamento continua ainda a ser um obstáculo a qualquer explicação mais idónea e o problema da definição de Homem e da explicação do comportamento humano permanece aparentemente obscuro.