(Prosa – Verso)
I
Num hospital onde permaneci,
Que fatalidade conheci?
II
P’lo acordar, não desperta o Sol, o alvorecer.
Bocejo atordoado,
A preguiça de ainda ser,
Com um estribilho a saber a fado,
E audível de qualquer lado:
«Não há toalhas!»
E continua o fado.
III
Não há toalhas,
Não se toma banho!
Não há pijamas,
Ó que «catano»!
Lençóis, cobertores, almofadas, batas,
Não há, «c’um caraças»!
IV
Ó que roupas malfadadas,
Que chegam sempre atrasadas.
V
Auxiliares e enfermeiras, desesperadas,
Correm os corredores esperançadas,
Encontrar um lençol num armário abandonado,
Que de toalha faça vezes,
Quantas vezes?
VI
E eu, à porta do quarto,
Olho tudo aquilo com desdém, desabrimento,
Com a consciência de que hoje não vou ter toalha.
Valha-me Santo António…das toalhas…