A primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior registou este ano uma quebra “acentuada e alarmante” no número de estudantes colocados, conforme anunciou a Associação Académica de Coimbra (AAC).
De acordo com a estrutura estudantil, foram colocados 43.899 estudantes, o valor mais baixo desde 2016, representando uma redução de 12,1% face a 2024. Já o número de vagas por preencher mais do que duplicou, atingindo 11.153 lugares disponíveis, um aumento de 130,4% relativamente ao ano passado.
A AAC considera que os dados revelam “uma evidente desaceleração e estagnação do ensino superior português no seu capital humano”, confirmando um sistema “pouco atrativo, estagnado e incomportável para as famílias portuguesas”.
A associação estudantil lembra que “há muito alertava para as graves insuficiências na vida dos estudantes”, sublinhando que os custos elevados da habitação, alimentação e mobilidade, aliados à conjuntura socioeconómica e a um processo de candidatura “desajustado e impraticável”, estão a afastar os jovens do ensino superior.
Perante o cenário, a AAC apela ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, bem como aos partidos políticos e à sociedade civil, para que encontrem “soluções concretas e eficazes” que invertam a tendência.
“Chegou o momento de, efetivamente, todos os jovens terem direito a estudar e a um futuro de sucesso em Portugal”, conclui a Associação Académica de Coimbra.