Carlos Matos Gomes (1946- 2025), morreu no dia 13 de Abril. A sua filha, segundo o Jornal O Público, disse que morreu serenamente, ao som de músicas de Abril. Ainda bem.
Faleceu de pneumonia este destemido Capitão dos Comandos, e um dos primeiros a envergar a farda de Capitães de Abril.
Nasceu o Carlos, em Vila Nova da Barquinha. Estudou no Colégio de Nun´Alvares de Tomar, onde veio a conhecer Salgueiro Maia. Aí se tornaram amigos para sempre. Em 1963, ingressou na Academia Militar onde frequentou o Curso De Cavalaria.
Serviu na Guiné, Angola e Moçambique. Na Guiné, como Capitão Comando, travou com o PAIGC muitas das mais difíceis e sangrentas batalhas. da Guerra Colonial.
Foi nestas terras africanas que acabou por se integrar, de corpo e alma, no Movimento de Capitães. Diz o Carlos Matos Gomes, que foi um dos primeiros fundadores do Movimento do 25 de Abril. O Movimento da Guiné, foi porventura o mais importante, o de maior pujança e influência. Caso as coisas corressem mal na Metrópole tinham um plano B para salvar o levantamento. Associações de milicianos e muitos homens como ele, formaram uma organização firme, convictos da vitória, que firmasse o fim da Guerra Colonial e a Implantação da Democracia.
Dizia ELE que quando morresse partia sem nenhuma decepção. É provável, pois era um homem de intervenção cívica e política permanente.
Por volta dos anos 80, passou a escrever, e usou o pseudónimo de Carlos Vaz Ferraz. O seu primeiro romance veio ao prelo em 1982, Nó Cego, seguem-se A Última Viúva de África e Os Lobos Não Usam Coleira, adaptado ao cinema por António Pedro de Vasconcelos. Depois, apareceram os Imortais. Mais se seguiram, como por exemplo, Soldadó, Fala-me de África, As Estradas dos Silêncios e mais alguns outros.
Em 2004 editou a Geração D que definiu como uma homenagem e uma autobiografia da sua geração, a que conheceu a ditadura, a guerra colonial e fez o 25 de Abril de 1974. Dizia uma frase muito interessante: a geração que viveu sob um regime de “doidos do império” e dele se libertou.
Era Matos Gomes, um prestigiado investigador de história militar, sendo de sua autoria ensaios históricos de grande credibilidade sobre a Guerra Colonial.
Pensava claro, era corajoso na palavra, sem medos de expor as suas convicções. Deixa-nos um legado de acção militar, literário e académico que perdurará para sempre.
Amigo Carlos Matos Gomes, permita-me que assim o trate. Sempre que precisei de si para valorizar a minha tese de doutoramento, Capitães do Fim, encontrei-o permanentemente disponível. Ensinou-me muito, não esqueço nunca os seus aconselhamentos.
Desta tese de doutoramento nasceu o livro Capitães do Fim do Quarto Império. Na sua crítica, disse sem pejo: um excelente livro para quem queira, com seriedade intelectual, perceber o esgotamento dos quadros na Guerra Colonial, que foi uma das causas do seu fim. Contraria as bravatas de patrioteiros e de mixordeiros da história… tem números, documentos excelentes.
Até breve amigo.