30 de Maio de 2026 | Coimbra
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Marca de Coimbra lança primeiro whisky 100 por cento de centeio do país

14 de Novembro 2025

Marca de Coimbra lança primeiro whisky 100 por cento de centeio do país

 

O contacto com o público nunca foi estranho para Nádia Santos e Miguel Leitão. Ao longo dos últimos anos foram vários os restaurantes que abriram em Coimbra, no entanto, a chegada da pandemia covid-19 levou-os a repensar o futuro. Decidiram, assim, mudar de rumo e apostar num sonho antigo: fundar uma destilaria portuguesa onde o whisky e o gin fossem os grandes protagonistas.

“Ter espaços de restauração acabou por nos permitir um contacto maior com pessoas deste ramo e que trabalham com este tipo de bebidas”, explica Nádia Santos, em declaração ao “O Despertar”. Apesar da “Black Wolf” já existir na cabeça dos seus fundadores há cerca de uma década, somente há três anos começou a ganhar forma. A primeira produção chegou ao público no passado mês de julho.

 

“O whisky obriga a um envelhecimento mínimo de três anos e, por isso, a comercialização só começou recentemente”, revela Nádia Santos. Uma espera que valeu a pena, já que este é o primeiro whisky 100 por cento de centeio do país. “É um rye whisky muito interessante, porque é extremamente aromático e, além disso, o centeio concede-lhe a particularidade de ser ligeiramente picante no fim”, adianta.

A singularidade desta bebida parece não ser indiferente a quem visita a “Black Wolf”. Apesar de só estar no mercado há, sensivelmente, quatro meses, o feedback não podia ser mais positivo. “Nós tínhamos a ideia de que o nosso produto era bom e também trabalhamos para isso (…) portanto, estávamos muito seguros de que as pessoas iriam gostar dele”, acrescenta.

 

Qualidade é o foco da marca

O grão maltado, – um cereal que foi submetido ao processo de maltagem -, é a base do whisky da “Black Wolf”. “Depois, ele [o grão] é moído, cozido, escorrido, fermentado, destilado e, por fim, maturado em barricas”, descreve Nádia Santos, confessando que este é um processo complexo e trabalhoso, sobretudo, porque a marca faz questão de controlar cada etapa, do início ao fim.

“Achamos que essa é a única forma que temos de conseguir garantir a qualidade dos produtos. (…) A nossa primeira preocupação passa por perceber se estamos a fazer o melhor produto que conseguimos”, sublinha. Deste modo, a “Black Wolf” marca presença em cada aspeto: desde o que está no interior da garrafa, ao engarrafamento e rotulagem. “É isso que faz com que o nosso produto seja tão especial; esse cuidado em cada garrafa”, reitera.

No fundo, o intuito passa por conferir identidade à bebida e, nesse aspeto, a denominação escolhida para o projeto, “Black Wolf (Lobo Negro)”, não surgiu por acaso. “É uma forma de estar, de determinação. Havia ali um sem número de valores e de características que definem os lobos e que faziam todo o sentido na nossa marca: a ideia de comunidade, família e pertença”, salienta ainda.

Um espírito que se faz sentir, quer no espaço físico em Coimbra, quer na página da internet, onde todos são convidados a juntar-se “à alcateia”.

 

Projeto também aposta em gins

Além do whisky inovador em Portugal, a “Black Wolf” também decidiu apostar em gins, dos quais Nádia Santos se confessa uma apreciadora. Uma das receitas é inspirada no nosso país, visto que o projeto gosta de trabalhar a nossa identidade e cultura. “Vamos buscar botânicos portugueses, por exemplo, usamos muito o alecrim, a folha de sabugueiro, a laranja e o limão”, adianta a fundadora.

Por sua vez, a segunda receita, um Citrus, “é um gin 100 por centro cítrico, onde nós trabalhamos cinco citrinos como presença forte: lima, toranja, laranja, limão e tangerina. Isto faz com que se distinga dos outros”, afirma. A este respeito, a responsável não tem dúvidas de que, a nível nacional, não é difícil colher inspiração. “Inclusive, a longo prazo, gostaríamos de conseguir ter um whisky 100 por cento português. Queremos chegar ao ponto de conseguir comprar o nosso centeio e, nós próprios, o maltarmos, mas isso ainda vai demorar alguns anos”, ambiciona.

Enquanto tal não acontece, a “Black Wolf” promete continuar a provar que se “faz bom whisky em Portugal”, e que este agrada a muitas pessoas, sobretudo, a partir dos 25 anos de idade. “É um produto muito interessante a nível de aromas e de sabor. Além disso, tem várias maneiras de ser bebido. Penso que o público ainda está a descobrir as potencialidades do produto”, admite a fundadora.

Nádia Santos orgulha-se da marca por esta aliar tradição e inovação. Principalmente, por poder fazê-lo no centro do país e, mais precisamente, na sua terra natal: Coimbra. “Não me fazia sentido iniciar este projeto em mais lugar nenhum. É um gosto especial poder trabalhar um produto, – que eu espero que venha a orgulhar Portugal -, na minha terra”, realça.

Nesse sentido, espera também poder contribuir para que mais pessoas se desloquem para a cidade. “Acreditamos que, daqui a uns tempos, as pessoas venham cá para conhecer a destilaria. Vamos começar a realizar visitas para que os cidadãos possam perceber como é feita a produção”, conclui. A “Black Wolf” está localizada na Zona Industrial de Sargento Mor, Lote 15, 3020-832, Souselas, Coimbra.

 

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 14/11/2025]


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