Num mundo onde falar sobre dinheiro continua a ser, muitas vezes, tabu, a autora portuguesa Ana Viegas quer transformar esta realidade, a começar precisamente pelos mais novos. A sua “Coleção de Literacia Financeira para Crianças e Jovens” apresenta uma abordagem inovadora: ensinar os princípios básicos da gestão financeira desde a infância, usando o poder das histórias.
Numa entrevista concedida ao nosso Jornal “O Despertar”, Ana Viegas partilha as motivações por detrás do projeto, a importância do tema e o impacto que a coleção já está a ter nas famílias portuguesas.
Durante décadas, o dinheiro foi um tema reservado aos adultos. Só mais tarde, na adolescência ou na entrada no mercado de trabalho, os jovens eram confrontados com conceitos como poupança, investimento ou orçamento. Ana Viegas defende que esta lógica precisa de ser invertida.
“A educação financeira começa desde cedo e não apenas quando chegamos à idade adulta e somos confrontados com os acontecimentos”, afirma.
A autora acredita que quanto mais cedo as crianças forem expostas a conversas conscientes sobre dinheiro, mais preparadas estarão para fazer escolhas responsáveis no futuro. Não se trata apenas de ensinar números, mas de desenvolver uma mentalidade de abundância, responsabilidade e liberdade.
Uma coleção que ensina com empatia e criatividade
A “Coleção de Literacia Financeira” é composta por 10 livros ilustrados que abordam temas como o que é o dinheiro, como se ganha, poupa, investe, doa e gasta, tudo através de histórias simples, mas profundas.
Cada livro funciona como ponto de partida para conversas em família ou na escola, promovendo uma visão mais saudável e positiva sobre o dinheiro. As histórias são desenhadas para serem acessíveis a crianças de várias idades, criando momentos de aprendizagem partilhada.
“Cada livro é uma porta para conversas sobre escolhas, liberdade, partilha e consciência, mostrando que o dinheiro não é um fim, mas uma ferramenta para criar possibilidades e fazer o bem”, explica a autora.
Um projeto com origem pessoal
Este não é apenas um projeto profissional, mas é também uma missão pessoal. Ana Viegas cresceu com crenças limitadoras em relação ao dinheiro e sentiu na pele os efeitos de não ter tido uma base sólida de educação financeira. “É precisamente aquilo que gostava que me tivessem ensinado em criança”, confessa. “A verdade é que o dinheiro faz parte da vida e quanto mais cedo as crianças compreenderem o seu valor (e não apenas o seu preço) mais livres e empoderadas serão no futuro. Defendo que podemos (e devemos) falar de finanças com consciência, alegria e responsabilidade”, reforçou.
Essa experiência motivou-a a criar uma coleção que fosse capaz de quebrar ciclos e dar às novas gerações a oportunidade de crescerem com mais liberdade, clareza e confiança nas suas decisões financeiras.
O impacto sentido nas famílias portuguesas
Desde o lançamento da coleção, o feedback não tem parado de chegar. Famílias de norte a sul do país partilham histórias de como os livros têm aberto espaço para conversas importantes e mudado a forma como crianças e adultos pensam sobre dinheiro.
“Adoroooooo. Já lemos quase todos! Tem os princípios básicos de literacia financeira explicados de forma simples e acessível à minha filha de 6 anos”, disse uma leitora. “Acho que vai servir para mim e para o meu filho. Obrigada”, referiu outra, segundo os feedbacks que chegaram a Ana Viegas.
Estes testemunhos comprovam que o projeto tem tido um efeito real e positivo na vida das famílias, sendo muitas vezes um ponto de viragem na forma como se encara o dinheiro no contexto doméstico.
Para a autora, a literacia financeira é uma questão de autonomia e bem-estar. Mais do que saber fazer contas, é saber fazer escolhas, com consciência, intenção e propósito.
“Se conseguirmos que uma criança sinta que pode usar o dinheiro como ferramenta para cuidar de si e do mundo… já estamos a transformar o futuro. Um leitor de cada vez.”
A coleção está disponível para compra na loja online www.calonodedo.pt. Pode ser adquirida em formato físico, ebook ou audiolivro, e está acessível a famílias, escolas, bibliotecas e outros parceiros educativos em todo o país.