18 de Abril de 2026 | Coimbra
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Virgílio Antunes eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

17 de Abril 2026

O bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, foi eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa decisão tomada na terça-feira durante a Assembleia Plenária dos bispos.

A escolha recaiu sobre o atual vice-presidente da instituição, confirmando uma prática recorrente de continuidade na liderança da Igreja em Portugal e assegurando uma transição estável após o mandato de D. José Ornelas.

Para vice-presidente foi eleito o bispo José Manuel Garcia Cordeiro. A Assembleia elegeu ainda como vogais do Conselho Permanente os bispos António Augusto de Oliveira Azevedo, António Manuel Moiteiro Ramos, Armando Esteves Domingues e José Augusto Traquina Maria. O Conselho integra também Rui Manuel Sousa Valério, na qualidade de membro nato, por ser Patriarca de Lisboa.

Nas primeiras declarações após a eleição, o novo presidente sublinhou o carácter exigente e missionário da função, apontando para uma linha de continuidade no trabalho desenvolvido. “É uma missão, é um cargo que se assume dentro da Igreja, dando continuidade àquilo que é a nossa vida de serviço à Igreja”, afirmou.

Virgílio Antunes destacou ainda a necessidade de preservar a unidade e a harmonia entre os bispos, ao mesmo tempo que se aprofunda a resposta a temas centrais da atualidade. Na sua opinião a Igreja tem feito “um trabalho meritório”, dando resposta a temas importantes, tais como a “evangelização, coesão, liturgia, questão dos abusos sexuais na Igreja e proteção de menores”. “Queremos, com certeza, levar por diante a mesma missão da Igreja de todos os tempos para este tempo e dar continuidade àquilo que se tem vindo a fazer”, reforçou.

O novo líder da CEP fez questão de frisar que “não há dossiers fechados” na vida da Igreja, defendendo a necessidade de aprofundar o trabalho já iniciado e de enfrentar os desafios contemporâneos com sentido de responsabilidade. Entre esses desafios, apontou questões sociais globais, como os conflitos internacionais, e problemáticas internas que exigem reflexão e ação contínuas. D. Virgílio Antunes manifestou também abertura ao diálogo com a sociedade e com os meios de comunicação social, reforçando a importância de uma Igreja atenta e participativa.

 

Mérito e capacidade de liderança

A eleição foi recebida com agrado por Joaquim Nora e Costa, presidente da Confraria Rainha Santa Isabel de Coimbra, que considerou a escolha “perfeitamente merecida”, sublinhando as qualidades humanas e pastorais do novo presidente. “O Sr. D. Virgílio é uma pessoa excelente” afirmou, acrescentando que, apesar da exigência do cargo, acredita plenamente na sua capacidade: “É uma tarefa muito difícil, mas ele vai, com certeza, sair-se muito bem, porque é um bom bispo, com bom princípio da Igreja”.

Para Joaquim Nora e Costa, o novo presidente reúne “autoridade” e experiência para garantir “coerência” e continuidade na ação da Igreja, num contexto particularmente desafiante. Na sua opinião, é nestas alturas que a Igreja é muita atacada e, portanto, é preciso defende-la, “tal como o próprio Papa Leão XIV está a faze-lo”, acrescentou. “É preciso defender os princípios da Igreja com coerência, com serenidade e com autoridade e o D. Virgílio Antunes tem todos esses parâmetros”.

 

Um percurso marcado pelo serviço à Igreja

Natural de São Mamede, Batalha, onde nasceu a 22 de Setembro de 1961, D. Virgílio Antunes foi ordenado sacerdote em 1985 e construiu um percurso marcado por funções de relevo, tanto na formação como na pastoral. Foi reitor do Seminário Diocesano de Leiria, docente na área bíblica e Reitor do Santuário de Fátima entre 2008 e 2011. Foi nomeado bispo de Coimbra em 2011.

No seio da CEP desempenhou diversos cargos, incluindo o de presidente da Comissão Episcopal das Vocações entre 2011 e 2017 e vogal do Conselho Permanente entre 2014 e 2020, assumindo depois o cargo de vice-presidente. Foi ainda delegado à XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos.

A eleição agora concretizada representa o culminar de um trajeto consolidado dentro da Igreja portuguesa, num momento em que se exigem respostas firmes e equilibradas aos desafios internos e externos. A nova presidência da CEP inicia-se, assim, com expectativas de continuidade, mas também com a responsabilidade de imprimir uma visão capaz de responder às exigências do presente.

 


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