A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra (AHBVC) celebrou, no passado domingo, dia 12 de abril, o seu 137.º aniversário com uma cerimónia solene na Universidade de Coimbra que aliou o simbolismo histórico à urgência das necessidades atuais.
O evento, marcado pela bênção de novas viaturas e pelo desfile do corpo ativo, serviu de palco para o comandante Ricardo Domingos destacar o balanço operacional positivo de 2025, fruto de uma equipa que classificou como motivo de orgulho. Contudo, o tom festivo foi acompanhado por um apelo direto à sustentabilidade da missão. O comando lembrou da promessa da autarquia na aquisição de um novo carro de combate a incêndios e sublinhou que a eficácia do socorro depende inteiramente da melhoria das condições físicas e do reconhecimento da carreira dos bombeiros.
A sessão contou com a presença estratégica do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que aproveitou a ocasião para abordar a controversa revisão da Lei Orgânica do setor. Perante o alerta do comandante sobre a necessidade de estabilidade organizacional, o governante assegurou que as alterações visam “maior operacionalidade”.
Rui Rocha reconheceu ainda o impacto de “anos de desinvestimento”, revelando um levantamento que aponta para necessidades de 550 milhões de euros a nível nacional, valor que o Governo pretende colmatar através de um plano de reequipamento a dez anos e de um futuro contrato-programa tripartido entre Estado, autarquias e associações.
O momento mais emotivo da jornada foi dedicado ao reconhecimento humano e à gratidão por décadas de serviço público e abnegação.
Entre as várias distinções atribuídas, destacou-se a passagem do sub-chefe António Manuel Cordeiro ao Quadro de Honra e a entrega da medalha grau ouro de quatro estrelas ao adjunto de comando Rui Manuel Costa, pelos seus 30 anos de assiduidade. A cerimónia também homenageou o setor privado, nomeando a empresa Luís Simões como “empresa do ano” pelo seu apoio material à corporação.
O dia encerrou com um almoço de confraternização, reforçando os laços de união de uma instituição que, após mais de um século, continua a ser o pilar fundamental da segurança e do altruísmo na região de Coimbra.