26 de Junho de 2022 | Coimbra
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Vale do Açor vai marchar até Lisboa

20 de Maio 2022

Marcha de Vale do Açor, do concelho de Miranda do Corvo, vai abrir o desfile na noite de Santo António, no próximo mês, em Lisboa

A Marcha de Vale do Açor, de Miranda do Corvo, prepara-se para realizar o sonho de abrir o desfile de Santo António, a 13 de junho, em Lisboa, após dois anos suspenso devido à pandemia da covid-19.

“Os marchantes andam ansiosos e expectantes, pois estamos a menos de um mês do grande dia e vai ser a primeira atuação, desde a pandemia, em que vamos estrear todo o cenário”, disse ao “Despertar” o ensaiador, Filipe Ricardo, que promete uma marcha “diferente e única”.

Dos 14 aos 63 anos, homens e mulheres, além dos mais pequenos, dedicam muito do seu tempo à marcha, sendo que atualmente são 24 pares a dançar.

“Em 2020, éramos 26 pares, mas agora temos crianças, que eram inicialmente as nossas “mascotes”, e que passaram também a dançar”, refere, salientando que “em dois anos muita coisa se altera”.

O que se mantém igual, “além do traje e do tema da marcha”, que se encontra em segredo entre o ensaiador e os marchantes, é o espírito e a vontade de rumar a Lisboa.

“Estamos ansiosos e expectantes além de que quando foi tudo adiado ficámos com muito receio de perder o lugar, pois pensávamos que ia começar tudo de novo, mas conseguimos mantê-lo e isso deixa-nos orgulhosos”, acrescenta Filipe Ricardo.

Os ensaios acontecem na Associação Recreativa e Cultural e Desportiva de Vale do Açor, todas as segundas-feiras e sextas-feiras à noite, durante cerca de duas horas.

“Começámos desde a primeira sexta-feira de fevereiro com um ensaio semanal e a partir deste mês passámos a ter dois e têm corrido muito bem, embora haja alguns casos pontuais da covid-19”, explica o ensaiador.

Além desta função, Filipe Ricardo é quem faz as coreografias, as letras e até o figurino. Desde o desenho das roupas, à escolha do tecido e do tema, à maquilhagem e cabeleireiro, é tudo idealizado por Filipe Ricardo.

“Vamos surpreender com um tema diferente e inovador e acredito que vamos brilhar em Lisboa”, disse, confiante, o ensaiador.

A marcha mirandense tem atuado por todo país e este ano já há espetáculos na agenda, em Miranda do Corvo, Semide, Porto, Montijo, Seixal e no ambicionado evento do mundo dos marchantes, as Marchas de Santo António, em Lisboa.

“É um sonho já há muito desejado, onde atuam as melhores marchas”, afirma Filipe Ricardo, assegurando que estão muito felizes por representar o concelho de Miranda do Corvo e o distrito de Coimbra.

Paixão pela marcha

A Marcha Vale do Açor deu os primeiros passos de dança nos anos 90, mas dada a dificuldade económica acabou por “morrer”. Em 2007, Clara Costa fez renascer a marcha e permaneceu até 2013. Durante esses anos, Filipe Ricardo, de 33 anos, residente em Vale do Açor, era apenas um marchante, mas dada a paixão pela dança e pelo mundo das marchas, assumiu o papel de ensaiador e, desde aí, foi sempre a marchar até aos dias de hoje.

“As pessoas diziam que tinha um dom para as danças e pediram-me para assumir o cargo e aceitei”, revelou.

Filipe recordou ainda as suas primeiras atuações como ensaiador. “Costureiras e Alfaiates foi o tema da primeira atuação e, no segundo ano, foi as Lavadeiras, que nos fez conquistar o segundo lugar na Noite Branca, em Coimbra”, lembrou.

Gerir uma marcha não é fácil e, para isso, há que angariar fundos para as despesas. Ao longo do ano, dinamizam diversos eventos como jantares, encontros, passeios e festivais.

“Ninguém anda aqui por dinheiro, é tudo por amor à marcha”, salientou o ensaiador, com vontade de continuar a marchar até que lhe doam os pés.


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