22 de Maio de 2026 | Coimbra
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Centro de Reabilitação Profissional apoia vítimas de doença ou acidente

22 de Maio 2026

SAÚDE // O Centro de Reabilitação Profissional (CRPG) reforçou a sua presença em Coimbra, dando resposta a pessoas que tiveram doenças, acidentes ou condições crónicas. Os seus serviços têm, assim, como objetivo ajudá-las a recuperar competências para uma vida ativa.

São muitos os cidadãos que sobreviveram a um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que recuperam de uma doença oncológica ou que enfrentam desafios de saúde mental e que, muitas vezes, não sabem como regressar à vida ativa. O Centro de Reabilitação Profissional (CRPG) tem como propósito dar resposta a essas pessoas, ajudando-as a reaver competências e a reconstruir o futuro. Fundado há cerca de 34 anos, em Vila Nova de Gaia, o projeto rapidamente se expandiu a nível nacional, tendo agora uma delegação também em Coimbra.

“Sentimos que era a altura de irmos para a região Centro. Nós já recebemos pessoas do centro do país, mas agora podemos ter uma presença que permite encurtar distâncias, democratizando, desta forma, o acesso a este tipo de serviços que são essenciais”, adianta a diretora do CRPG, Mónica Salazar, em declarações ao jornal “O Despertar”.

 

Apoio a vários níveis

O projeto resulta de um protocolo celebrado entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) e a Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), tendo como missão dar resposta aos cidadãos que, por terem tido uma doença ou um acidente, necessitam de reabilitação profissional antes de regressarem ao trabalho. 

“São pessoas, em geral, que ficam com alterações da sua funcionalidade e da própria vida, já que, muitas vezes, deixam de conseguir desempenhar as funções que desempenhavam até então. Precisam, por isso, de redefinir o seu projeto, fazer uma alteração do seu propósito, dos seus objetivos profissionais e da vida”, descreve a responsável.

Através de uma intervenção integral e integrada, o CRPG presta vários serviços especializados de reabilitação e reintegração profissional, incluindo programas de recuperação e atualização de competências, e intervenções de terapia ocupacional, fisioterapia, terapia da fala e neuropsicologia. “O foco é sempre a especificidade da pessoa e das suas necessidades”, salienta Mónica Salazar.

Assim, numa fase inicial, é sempre feita uma avaliação por uma equipa multidisciplinar por forma a conhecer o cidadão, recolhendo as informações necessárias a seu respeito. De seguida, é acordado um plano de reabilitação profissional que vai definir os passos a seguir para que a pessoa atinja os seus objetivos. “Quer seja, por exemplo, para que venha a desempenhar outras funções, e, para isso, precisa de frequentar uma formação profissional, ou para, eventualmente, regressar ao trabalho com algumas adaptações”, explica a diretora do projeto.

No entanto, há também programas específicos, com a duração de 4/5 meses, que visam auxiliar na recuperação de competências, nomeadamente, em casos de Lesão Cerebral Adquirida, doença oncológica e incapacidades decorrentes de outras doenças ou acidentes. “Muitas dessas pessoas são encaminhadas pelo médico assistente, pelos hospitais, por clínicas, e até pelos serviços de emprego, quando estão desempregadas”, acrescenta.

O CRPG disponibiliza ainda apoio à reintegração profissional, incluindo análise de funções, mediação com entidades empregadoras e acompanhamento após retorno ao trabalho. Todos estes serviços, no geral, não têm custo para os cidadãos ou entidades empregadoras, visto que são financiados por programas públicos.

 

Em 2025 foram ajudadas 3.887 pessoas

A capacidade do CRPG para responder a todas estas necessidades reflete-se no impacto que tem tido na vida de quem vai passando pelo projeto. “Significa uma alteração substancialmente positiva da qualidade da vida das pessoas e da forma como se posicionam perante si próprias, a família, a sociedade, e perante, no fundo, a sua identidade enquanto cidadãos”, sublinha Mónica Salazar. A responsável não tem, por isso, dúvidas de que o trabalho levado a cabo pelo Centro representa “o renascer de uma esperança e o revigorar de uma nova vida que pode ser diferente da anterior, mas não é necessariamente pior”.

O projeto ambiciona, assim, contribuir para que mais pessoas deixem de viver isoladas na sua condição e voltem a ser ativas, usufruindo dos seus direitos. “Todos temos direito ao trabalho, independentemente da nossa condição ter mudado”, reitera a diretora. O ano passado vem confirmar o contributo do CRPG para essa inclusão socioprofissional. Na altura, foram apoiadas 3.887 pessoas, sendo que 126 entidades empregadoras estiveram envolvidas na qualificação e/ou emprego. A taxa de integração/reintegração profissional foi de 55%.

“Temos este papel de mediador junto das empresas. Elas próprias também precisam, muitas vezes, desse apoio por não estarem tão capacitadas a fazer a gestão do regresso ao trabalho dos seus colaboradores, depois de uma doença ou acidente. É fundamental trabalhar as pessoas, mas também trabalhar os contextos onde elas pretendem inserir-se”, afirma Mónica Salazar.

Garantindo que o desconhecimento é uma barreira em qualquer processo de mudança, a responsável  considera que é fundamental “capacitar as empresas, estar do lado delas e fazê-las perceber que têm muitas vantagens em contratar pessoas com incapacidades ou deficiências, porque estas são mais ricas e plurais”.

 

Fenómeno “muitas vezes, esquecido”

Na cidade, todas as pessoas que pretendem usufruir do apoio prestado pelo CRPG já podem fazê-lo. A inscrição pode ser realizada através da página online do projeto, sendo que também é possível contactar diretamente a delegação de Coimbra. Além disso, também podem ser encaminhadas pelos centros de emprego ou pelos médicos assistentes. “A primeira fase é sempre uma fase de exploração e conhecimento, que, depois, pode ou não dar lugar a um plano, dependendo do estado da pessoa, dos seus objetivos, interesses e projetos”, refere Mónica Salazar.

De acordo com a diretora do CRPG, há mais pessoas a precisar deste tipo de ajuda do que a sociedade imagina. “A avaliar pelas estatísticas de acidentes de trabalho e de doenças profissionais que, todos os anos, são publicadas, julgamos que há muitas mais pessoas a necessitar”, alerta. Nesse sentido, deixa o apelo: “é preciso divulgar, cada vez mais, a existência deste tipo de serviços, porque muitas das doenças profissionais que estão descritas são prolongadas”.

Para além disso, na sua perspetiva, existe ainda algum desconhecimento em relação à pertinência destes serviços. “É um caminho que se tem que fazer, e que passa também pelas próprias entidades públicas se articularem de uma forma mais integrada, para que todo este processo seja mais fácil para os cidadãos que adquirem uma incapacidade em fase adulta e ativa”, atenta.

Deste modo, o CRPG preocupa-se ainda em consciencializar a comunidade para o facto de o projeto poder ser um novo começo de vida para milhares de pessoas. “Cá estaremos para continuarmos a jornada deste caminho de visibilidade pública e de chamada de atenção para este fenómeno que, muitas vezes, é esquecido invisível”, conclui.

 

Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 22/05/2026]


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