É jovem, é de Miranda do Corvo e é a prova que uma mulher também pode ter poder de decisão em campo. Sílvia Bacalhau, de 25 anos, está a um “golo” de se tornar árbitra profissional e pretende viver o mundo desportivo e apitar até que vida o permita.
A paixão pela arbitragem e pelo futebol já vem desde criança. “Desde pequena que adoro a modalidade, mas infelizmente nunca cheguei a jogar futebol”, começou por dizer Sílvia Bacalhau, frisando que sempre apreciou o papel do árbitro, “que é muito importante para um jogo poder fluir e, claro, para impor regras”.
Como não conseguiu ser jogadora, decidiu apostar na arbitragem, porque “há sonhos que devem ser concretizados e chegou o momento de cumprir este”, afirmou, de sorriso rasgado.
Começou a tirar o Curso José Laranjeira, na Associação de Futebol de Coimbra, em novembro de 2021, e terminou em fevereiro deste ano. Ali, eram apenas cinco mulheres em cerca de 30 formandos.
“Se calhar se fosse a única iria sentir-me intimidada, mas fui muito bem integrada e acolhida por todos”, referiu, salientando que “é também um indicador de que as coisas estão a mudar”.
Sílvia Bacalhau, atualmente estagiária, já arbitrou mais de uma dezena de jogos como árbitra principal e assistente, mas confessa “que nunca levantou um cartão”.
“A primeira vez não vou esquecer, mas espero que não seja por algo grave”, revelou.
Para a também Mestre em Economia, o maior desafio na arbitragem é “o papel da mulher numa função maioritariamente masculina”, apesar disso não ser um problema para a jovem.
“Nunca me senti discriminada por ser mulher, antes pelo contrário, porque o apoio e o incentivo por parte de toda a gente que me rodeia tem sido fantástico, mas claro que há sempre quem critique o trabalho que se faz em campo”, contou.
Além disso, Sílvia Bacalhau desabafa que os árbitros são “muito criticados pelos meios de comunicação, pelo público e por outras pessoas, pois infelizmente é um problema cultural desta modalidade”.
“É difícil lidar com a pressão feita pela sociedade civil, que coloca sempre em causa as nossas decisões, mas nós quando erramos, não temos o intuito de prejudicar as equipas, simplesmente são decisões que têm de ser tomadas em frações de segundo, e tanto podem ser acertadas como não, dependendo da visão de cada um”, esclareceu.
Para esta futura árbitra profissional, um dos momentos mais marcantes “foi a primeira vez que apitei para dar início ao jogo, senti que tinha poder e que estava a impor respeito”, desvendou.
Agora, Sílvia Bacalhau pretende continuar a apitar pelo país fora, pois “enquanto arbitrar me fizer feliz é o que vou continuar a fazer se a vida me permitir e até onde o apito me levar”, disse, entre risos.