16 de Março de 2026 | Coimbra
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CLARA LUXO CORREIA

Uma forma simples de cuidar!

6 de Fevereiro 2026

Queridos leitores, a crónica desta semana é sobre o “Bom Dia”. Sim, essas duas palavrinhas simples que, quando se juntam, têm o dom de distribuir energia e de nos roubar um sorriso. Merecem, por isso, uma justa homenagem.

Sempre gostei de dizer “Bom Dia”, de preferência acompanhado pelo sorriso da Luxo. Um “Bom Dia” dito com convicção pode mudar o rumo de uma manhã inteira; dito sem resposta, pode deixar-nos a ponderar escolhas de vida enquanto esperamos pelo elevador.

Lembro-me bem do tempo em que trabalhei com um senhor francês que se irritava genuinamente quando entrava num elevador em Lisboa e ninguém o saudava. Ficava tão incomodado que o assunto voltava à conversa vezes sem conta, como quem ainda não digeriu o pequeno-almoço. Para ele, era impensável que não distribuíssemos “Bons Dias” aos clientes da nossa loja. Em Portugal, explicava-lhe eu, há pessoas que só dizem “Bom Dia” depois do segundo café — e mesmo assim depende do humor.

É verdade que, durante muitos anos, o meu “Bom Dia” foi substituído pelo “Hola”, que eu espalhava pelas terras da Catalunha com a naturalidade de quem já nem sabe em que língua sonhou nessa noite. Já em Coimbra, sempre que me escapava um “Hola”, a Mãe Rosarinho lançava-me aquele olhar típico de mãe de filha emigrada: um misto de orgulho, saudade e um silencioso “veja lá se aterra”.

Hoje, é nas redes sociais que recebo o meu “Bom Dia” mais especial. Um Amigo herdado do Pai Augusto — o Amigo M. — tem 11 mil seguidores numa das redes sociais, onde madruga a cumprimentar-nos. Muitas vezes o faz tão cedo que ainda é momento de dizer “Boa Noite”, mas (quase) ninguém tem coragem de o corrigir. É na página do Amigo M. que deixo o meu primeiro “Bom Dia”, e raramente sou a primeira. Ali, aquele cumprimento transforma-se num ritual coletivo: ele fica a saber que está tudo bem com a Clarinha, nós ficamos a saber que o dia começou — oficialmente.

Vivemos tempos difíceis e preocupantes, e é bonito pensar que um simples “Bom Dia” pode ser alimento essencial. Escrevo esta crónica no dia em que enviei ao Amigo M. uma mensagem privada, preocupada por ainda não ter visto o seu habitual cumprimento matinal. Fiquei descansada com a resposta: “Estou atrasado…”. Afinal, até os distribuidores profissionais de “Bom Dia” têm direito a dormir mais cinco minutos. Depois de uma troca simpática de mensagens, percebi que o meu Amigo M. ficou feliz por saber que distribui diariamente um “Bom Dia” que abraça. E talvez seja isso: num mundo apressado, distraído e muitas vezes pouco delicado, dizer “Bom Dia” continua a ser uma forma simples de cuidar!

 


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