Os 109 anos do Despertar coincidem com a chegada a Portugal da Exposição dos 200 anos do Diario de Pernambuco, o mais antigo jornal de língua portuguesa em publicação continuada e o Decano dos jornais na América do Sul.
Esta não é uma exposição para assinalar uma data nem um feito, os 200 anos de publicação continuada, nem para iniciar uma nova categoria ou classificação de jornais, os Bicentenários – a que o português Açoriano Oriental chegara dentro de 10 anos e o Despertar se apresta a entrar no último ano do primeiro desenato do centenário.
A Exposição que agora chega ao Porto (27 de fevereiro a 27 de março) e de seguida a Évora (12 de março a 5 de maio) e mais tarde avarias cidades no Brasil, com o patrocínio do Ministério da Cultura do Brasil que já reconheceu o Diario de Pernambuco como de Interesse Cultural Nacional, é antes de mais uma exposição da Memória e da Inovação.
De Memória porque nela se mostram factos históricos que cobertos jornalisticamente por jornais centenários como o Diario de Pernambuco ou o Diário de Notícias nos permitem vivenciar momentos fundamentais das relações luso brasileiras, num momento em que vivem em Portugal muitos falantes da nossa língua comum. Os factos escolhidos relacionados com as efemérides Independência do Brasil mostram como foi a visita a Portugal do Imperador do Brasil Pedro II em 1872, como Gago Coutinho e Sacadura Cabral terminaram a sua histórica travessia aérea do Atlântico Sul em 1922, no centenário da independência, voando no Avião do Povo o Santa Cruz, que foi adquirido através de subscrição pública organizada pelo Diario de Pernambuco e pelo Diário de Notícias. A exposição lembra ainda em imagens e textos jornalísticos o regresso de Pedro I (IV de Portugal) ao Brasil nas comemorações dos 150 e 200 anos de Independência.
De Inovação porque mostra os procedimentos de classificação e digitalização do acervo do jornal que já começou em 1925, quando, no centenário do jornal foi criada uma cápsula do tempo, um cilindro metálico estanque em que foram guardadas as edições mais importantes do primeiro centenário do jornal, e que foi agora aberta para ser enriquecida com as edições notáveis do segundo centenário. Entre as edições guardadas há cem anos estão os suplementos Nordeste que reuniram as cronicas de mais de um quarto de seculo de Gilberto Freyre e seus convidados e que são um retrato vivo da região nordeste da nação brasileira. Na comemoração do segundo centenário o jornal editou Nordeste II reunindo as mais importantes visões sobre a região depois de Gilberto Freyre, e nos 180 anos do jornal o Ministério da Cultura do Brasil já tinha reeditado a obre preservada na cápsula do tempo.
Esta é uma ideia que fica para o 110.º aniversário de O Despertar criar uma cápsula do tempo com as edições, textos e suplementos mais marcantes desde a fundação incluindo elementos digitais presentes apenas na edição online. Começando pela obra de investigação sobre a História do Despertar que o Jornal editou no seu centésimo aniversario e criando uma memória jornalística, histórica e cultural sobre Coimbra.
Editar um Jornal Centenário não é só um feito jornalístico e de gestão e de distribuição, é um projeto de futuro; parabéns aos seus proprietários e a todos os que em O Despertar contribuem para que tempo possa ser encapsulado para conhecimento das gerações vindouras.