23 de Maio de 2026 | Coimbra
PUBLICIDADE

CLARA LUXO CORREIA

TRRIIIMMMM!

6 de Junho 2025

Queridos leitores, esta semana escrevo sob a forma de telefonema. Há quanto tempo é que não ligam a uma pessoa amiga para, simplesmente, perguntar: “Como está?”.

Tenho um primo de quem sou muito próxima que, quando lhe telefono atende com um sorriso na voz e com esta pergunta: “Como estás, minha linda?”. Confesso que às vezes tenho a tentação de lhe telefonar simplesmente para escutar esta pergunta mágica!

Que longínquos me parecem os tempos em que os telefones eram fixos e os atendíamos sem saber quem estava do lado de lá da linha. Lembro-me de na minha infância ter aprendido com os meus queridos pais a atender o telefone com uma pergunta: “Estou sim, quem fala por favor?”.

O Pai Augusto recebia muitos telefonemas e quando eu o via levantar-se para ir ao telefone facilmente conseguia adivinhar a sua primeira frase: “Então o que manda?”. Normalmente do lado de lá estava um familiar ou um amigo.

Há telefonemas que me deixaram muitas saudades. Os telefonemas que recebíamos (e que fazíamos) para os avós do Luso estão no primeiro lugar no meu “top das saudades”. Eram telefonemas diários, mas não se podia demorar muito tempo porque “caiam os períodos” e as chamadas ficavam muito caras. Estes telefonemas ajudavam-me a aliviar as saudades dos mimos que recebia semanalmente. Naqueles tempos o telefone era uma importante “arma” anti-saudade e pró-mimo.

Uns anos mais tarde, os telefonemas que fazia do estrangeiro para dar notícias também eram muito giros. Eram telefonemas feitos em cabines de rua onde as moedas caiam a uma velocidade assustadora. Eu falava com uma voz que cantava a alegria que sentia por estar a descobri novos mundos, novas culturas e novas gentes. Aqueles eram tempos de construir memórias que não podia prever terem tanto valor.

A vida profissional levou-me de terra em terra (e de país em país) e fui sempre fazendo telefonemas para a família que me permitiam partilhar aventuras e sorrisos.

Cada vez mais o meu telefone toca menos. Hoje os telefonemas são (demasiadas vezes) substituídos por rápidas mensagens ou pelas redes (anti) sociais. Hoje, os telefonemas são mais baratos do que nunca mas pagamos cada vez mais caro o preço da solidão.

… é tempo de voltar a pegar nos telefones para que do lado de lá se escute TRRIIIMMMM!

 


  • Diretor: Lino Vinhal

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D - Eiras 3020-430 Coimbra

Powered by DIGITAL RM