Apesar dos pregões, objetiva e lamentavelmente, a desumanização mantém-se ativa e em força nas urgências dos hospitais, no acesso à saúde, no emprego digno, na colocação racional dos professores, na carência de bens e serviços e de infraestruturas ferroviárias, no interior do país – o elevado custo dessa interioridade -, contrariamente às falácias dos governantes, anunciando aos sete ventos, aquando das campanhas eleitorais, que vão ser implementadas medidas urgentes para debelar esse flagelo mas, o que é facto, é que a desumanização continua e cada vez mais agravada…
Retomando a questão, eis um pequeno exemplo de como subtilmente se desumaniza uma região: depois da tumba de Eça de Queiroz ter deambulado de Paris para Lisboa, de lá para Santa Cruz do Douro, em Baião e, finalmente, para o Panteão Nacional – o que não se compreende, porque só agora a família resolveu, e foi autorizada, a tomar tal decisão – cuja trasladação vai empobrecer significativamente aquela localidade e a sua nomeada, ao fazer cessar definitivamente o afluxo de milhares de turistas portugueses e estrangeiros que visitavam o seu túmulo, deixando divisas e levando no espírito lembranças que afamavam o torrão de Tormes, onde tão ilustre veraneante consumia os seus dias de vilegiatura, o que é mais um golpe na interioridade daquele povoado.
Registei aqui este atropelo, pela sua oportunidade e para memória futura do que não devia, nem deve, ser autorizado ou feito, pelos sucessivos donos da governação. Mas os interesses instalados podem mais do que a vontade dos residentes, a bem da concentração nos grandes centros das fontes de lautos rendimentos individuais e empresariais e da Democracia, que tudo justifica!
Insistindo, o humanismo não age “a se”. O seu exercício pressupõe a ação humana, a qual é condicionada pela consciência e responsabilidade do indivíduo, ou em sociedade, e, portanto, contingente, tanto para o bem comum como para o egoísmo que, mascarado dos valores ético-sociais, posterga-os para servir os seus interesses, pecha que, infelizmente, se vai alastrando mesmo em regimes políticos, ditos do ideal democrático, tal como o terá sentido e sofrido Tony de Matos, ao ponto de ter de ir procurar conforto e consideração no estrangeiro.
Cfr. WiKipédia e Lucien Goldmann.